Pular para o conteúdo principal

O Plano de Inovação Pública

Motivado em parte pelos bons exemplos reunidos na segunda edição do Cidadania 2.0, encontrei um igualmente exemplar trabalho sobre inovação governamental que está publicado sob forma de um Plano de Inovação Pública do Governo Basco, abrangendo o período 2011-2013. 


Digo que o formato é de plano, mas o conteúdo é quase um manual, um guia que pode servir a adaptações por outros tantos governos, europeus ou americanos, que nos inspira, nos faz refletir para justificar os "porquês" de inovar. Aqui está um trecho introdutório com o elevado pensamento do qual se origina o plano:
Este Plan de Innovación Pública forma parte de la estrategia global del Gobierno y contribuye a la construcción de una Euskadi moderna que se asienta sobre ciudadanos y ciudadanas libres, que son solidarios entre sí y que tienen vocación de construir un modelo de sociedad de valores, sostenible y competitiva en un mundo abierto, objetivo genérico que formuló el Lehendakari en enero de 2010 al presentar lo que denominó el “nuevo contrato social entre vascos”. 
São apresentados a análise de SWOT do governo, que tem na autocrítica o fortalecimento de propósitos para melhorias, um diagnóstico que aponta de fato para a realidade e o desenvolvimento de estratégias de solução a médio prazo, sugerindo ou impondo modelos de governança em setores igualmente estratégicos em uma sociedade do conhecimento. O plano abrange as seguintes áreas:

• Administración electrónica.
• Presencia en Internet.
• Atención al ciudadano.
• Gobierno Abierto: Transparencia, Colaboración y Participación.
• Apertura de datos públicos.
• Colaboración interadministrativa.
• Innovación.
• Gestión del conocimiento.
• Evaluación de Políticas Públicas.
• Calidad y excelencia en la gestión.
• Simplificación administrativa.
• Reducción de cargas administrativas.
• Organización y Recursos Humanos.
• Sistemas de información corporativos.
• Infraestructuras tecnológicas.
• Gobierno de las Tecnologías de la Información.

 Por esse motivo, creio ser reproduzível e adaptável a demais governos, senão em todo, em parte. Para mais, aqueles que apreciam a objetividade, ficarão satisfeitos ao ler o modelo conceitual que norteia todas as áreas e está apoiado em dois modelos:
Modelo de Serviços
 Este modelo deverá:
  • Estar adaptado as necessidades da cidadania,
  • Incrementar a disponibilidade de serviços de informação,
  • Fomentar o uso desses serviços,
  • Desenvolver mecanismos de interoperabilidade necessários para reduzir a burocracia e
  • Contribuir para uma maior satisfação dos usuários. 
Modelo de Relacionamento 
Para permitir a coleta e conhecimento das necessidades dos cidadãos. Para tanto, o modelo deverá:
  • Ser aberto a participação da cidadania  e a a colaboração interadministrativa, e
  • Oferecer transparência em todas suas ações.
Organizado em quatro eixos ( gestão eletrônica, gestão aberta, gestão inovadora e gestão tecnológica ), o plano é suplementado por uma coleção de fichas resumo sobre as linhas estratégicas, que qualificam ainda mais a publicação como bom exemplo aos governos. 
A julgar por este plano e outras publicações vistas aqui, penso que estamos entrando em uma nova etapa em inovação em governo, com mais profissionalismo e foco.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.
Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não im…

Design Thinking em Governo: abrem-se os caminhos

Temos dedicado muito tempo de nossas pesquisas na avaliação da metodologia de Design Thinking, adaptada a governo para apoiar a inovação, na tentativa de adotá-la para a criação e reformulação de serviços públicos. O Pepe já havia comentado aqui anteriormente sobre Roger Martin e o Design de Negócios, bem como nos trouxe uma trilogia de posts ( 1, 2 e 3 ) apontando a aplicação que pode ser dada ao tema em governo, baseado também na obra de Tim Brown e nos cases da IDEO.

Nossas impressões foram confirmadas com a recente publicação de dois trabalhos que a IDEO realizou junto a The Partnership for Public Services, entidade não governamental que trabalha para produzir inovação em governo nos EUA. Essas publicações, que considero leitura obrigatória, estão dirigidas a dois públicos distintos:


Innovation in Government: para todos envolvidos em inovação, é uma agradável e bem organizada leitura que introduz o assunto inovação em governo, baseada em depoimentos de especialistas, apresentando …

Habilidades e Atitudes do Novo Gerente

Os gerentes que, ao longo dos próximos anos, ambicionarem progressos consistentes em suas carreiras deverão dedicar particular atenção à readequação de suas competências e habilidades, recalibrando-as no sentido da chefia tradicional para a liderança de equipes, do “mandar” para o “convencer”, do “eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam” para o “tamo juntos”, só para exemplificar.
Esta, seguramente, não será - ou não tem sido, para aqueles que já iniciaram essa caminhada - uma mudança fácil, pois envolve, além de crescentes esforços de atualização no âmbito estritamente técnico, uma profunda remontagem nos modelos mentais tradicionais.
No campo técnico, a rápida e incansável diminuição no ciclo de vida de processos e produtos tem colocado, cada vez mais, a aprendizagem continuada na ordem do dia. O know-how dos colaboradores e, por consequência, das organizações, sofre ataques praticamente diários que empurram a atividade “aprender” para dentro da “folhinha de produção”. Nesse cenário…