Ads 468x60px

Social Icons

Featured Posts

Fazer o que ninguém faz


A "ipirangalização"e os serviços públicos


No início de junho ouvi um diretor da Petrobras anunciar aquilo que seria a "grande inovação" de sua distribuidora, fruto de semanas em brainstorming interno que visavam aliviar a crise pela qual passa a empresa, vítima de corrupção, chegando a dois pontos miraculosos: 1- abrir uma nova empresa com 30% do capital da atual distribuidora para ser a gestora de 2- novos serviços nos postos da rede que, nas palavras do diretor, seriam lojas de conveniência, farmácias e lanchonetes. Ora, então a grande inovação é chegar ao modelo dos anos 1950!?

Diferente dessa falta de fôlego criativo, outra empresa do mesmo ramo, a Ipiranga, tem ajustado suas velas, embora não navegue no mesmo mar de corrupção, para navegar com mais conceito e propriedade em mares de concorrência, por meio do design de serviços.

A Ipiranga, sempre vista como o primo pobre das distribuidoras, parte da revisão de seu significado para gerar novo valor a seus clientes. A chamada que diz "tem no posto Ipiranga"movimenta um conjunto de ofertas complementares e suplementares de serviços, que vão desde a troca de óleo até conexão wi-fi, passando por aluguel de veículos, prêmios de milhagens, tags para pedágio e ingressos para shows.



Mais do que um lugar que centraliza serviços, a iniciativa vai além ao entregar ao cliente a gestão desse relacionamento pelo site e nos recibos do cartão de crédito. A metáfora não é a de um shopping center, mas a de um "lugar que eu posso contar"e gerir sem grandes complicações. Nisto o design de serviços é fundamental e aqui está a inovação.

Não basta encher o posto de serviços por consumo e adesão, mas fazer dessa adesão um relacionamento gerenciável, fortalecendo cada ponto de contato, ou touchpoints, que capacitem todas as interfaces entre prestador do serviço e cliente. Assim, frentistas, donos de postos, site na internet, atendimento telefônico e qualquer outra interface, devem estar alinhados em promover uma experiência agradável ao seu cliente, que por vezes é transformadora, como é o caso de tornar o ato de completar o tanque de combustível, algo dolorido para todos, em uma oportunidade de recompensa em milhagens por essa fidelidade à marca e ao posto.

 É um erro pensar que os serviços públicos não devam se preocupar com isso por não terem metas de fidelização, nem problemas com concorrência. Na perspectiva do cidadão, é claro que os serviços de governo concorrem com outros, como os serviços bancários, os do shopping, os da companhia de seguros e até os do tráfico, que lamentavelmente aproveita os vazios dos serviços de segurança, educação e emprego. Todos os serviços utilizados pelo cidadão estabelecem um padrão mínimo de tratamento, usabilidade e acessibilidade.

Mas quero fazer uma reflexão sobre um recorte específico de serviços públicos, aqueles do dia-a-dia, que estão nas Centrais de Atendimento e que, por utilizarem a metáfora vencida de shopping center, não conseguem evoluir em espírito e forma.

Os padrões estabelecidos há vinte anos, quando começaram, permanecem quase idênticos aos atuais, mesmo sabendo que nesse período a internet, os serviços eletrônicos, a mobilidade e, principalmente, a integração de serviços tornaram-se essenciais a qualquer cidadão.

Esses mesmos padrões, apesar de inovadores e de impacto positivo à cidadania na época, também não conseguiram contagiar os demais serviços de governo. Assim, não é possível ver esse mesmo tratamento das centrais de atendimento serem adotados nas áreas de saúde, educação, segurança e outros pontos de contato com o cidadão.

Com isso permanece, na ótica do cidadão, a visão de um governo multifacetado e fragmentado, onde existem lugares de excelência e outros de penúria, o governo não é único, nem seus serviços são integrados, quem os integra é o cidadão, por meio de deslocamentos em labirintos de informações. As interfaces são focadas no sistema e não na experiência de uso pelo cidadão, quer em serviços presenciais, quer em serviços eletrônicos.

Penso que os modelos de centrais sejam insuficientes para uma sociedade que vive em rede distribuída. Exemplifico, por que devo me deslocar até uma central de atendimento do governo para emitir a carteira de identidade de meu filho, se ele estuda em uma escola do mesmo governo e que já tem lá todos os registros ? A rede de postos seria maior, não é mesmo ? Isso já não é feito no caso de vacinas em escolas?

É certo que para tanto ainda seriam necessários vários passos, como um big data do cidadão, o redesign e fortalecimento de touchpoints, a derrubada de restrições anacrônicas, o investimento em capacitação das interfaces e, acima de tudo, a empatia com o cidadão. Coisas que levam tempo e empenho, mas que são inadiáveis.


Isso é apenas um exemplo da mudança do modelo que temos a considerar ao buscar o governo único para um cidadão único. A "ipirangalização"de postos de serviços públicos é uma nova metáfora, é oferecer ao cidadão um lugar que ele pode contar... e que possa chamar de seu governo.

Quem Fica Olhando Muito Para Trás, Tem Um Grande Passado Pela Frente

A frase que dá título a este post, proferida pelo grande filósofo e professor Mario Sergio Cortella, deve servir de alerta a muitos de nossos prefeitos. 

A maioria deles ainda enxerga a atração de indústrias como o único caminho para o desenvolvimento de uma cidade. Esta visão, formada nos tempos em que fábrica era sinônimo de riqueza, tem feito com que novas oportunidades de crescimento, vinculadas a uma economia cada vez mais pujante, centrada no conhecimento, o mais valioso insumo dos nossos dias, não sejam devidamente estudadas, exploradas e aproveitadas.

O que os senhores prefeitos precisam descobrir, desde já, é que nos dias atuais há uma nova "estrada", ainda mal sinalizada, para cidades que almejam um papel de destaque na emergente sociedade do conhecimento. De antemão, asseguro que para chegar a ela não basta usar a velha e onerosa prática de atrair empresas. O sucesso para galgar essa nova "estrada" depende da atração de talentos, pessoas, gente que possa, com o seu capital intelectual, gerar novos modelos de negócio, produtos e serviços que conduzam o município a um ciclo sustentável de prosperidade.

Embora essa percepção seja ainda bastante tênue, a cada ano que passa cresce o número de cidades que procuram agências de desenvolvimento, órgãos de fomento ou instâncias semelhantes, para ajudá-las, quer na identificação de suas potencialidades, como na transformação dessas vantagens em um ambiente de negócios inovador que sirva de imã para as novas gerações,  as quais, além de possuírem mais familiaridade com as modernas tecnologias, trazem, dentro delas, sonhos, padrões de consumo, exigências socioambientais e visão de mundo bastante diversa das gerações que lhes antecederam.

Ainda que as grandes metrópoles sejam o “locus” natural para essa moçada, resta ainda um considerável espaço para cidades de menor porte que queiram se estruturar em torno do conhecimento e que ofereçam como bônus a disputadíssima qualidade de vida.

Os exemplos que temos observado de pavimentação e utilização dessa nova "estrada" que desemboca no desenvolvimento sustentável incorpora alguns mandamentos que até a alguns anos eram pouco considerados, mas que começam, agora, a ganhar destaque. 

Dentre esses mandamentos, aponto dez que me chamaram bastante a atenção:

1° Oferta de ampla e democrática rede de banda larga. Aí circula o conhecimento, digo a riqueza. Sem isso, não dá nem para começar.

2° Disponibilidade de uma estrutura educacional de classe mundial, centrada no uso de novos métodos de ensino e na oferta de disciplinas do mundo contemporâneo (turismo, gastronomia, artes, novas tecnologias, etc.).

3° Proliferação de ambientes públicos que estimulem a diversidade, a livre circulação de ideias, a inovação e as atividades colaborativas (oficinas, estúdios, etc.).

4° Predominância da área verde sobre a edificada, com a presença de parques, lagos, cursos d’água e outros recursos deste tipo.

5° Estímulo à vida saudável, expresso pela existência de extensas áreas de calçadões, ciclovias, quadras e demais facilidades públicas para prática de atividades esportivas.

6° Disponibilidade de uma nova geração de usinas centradas no aproveitamento de energia solar e/ou eólica, que diminuam de modo substantivo, os gastos nessa área.

7° Prioridade aos meios de transporte que privilegiem o uso da eletricidade ou outras formas de manejo energético, de modo a reduzir, de forma consistente, a emissão de gases nocivos à vida do planeta.

8° Existência de área central, downtown, e paço governamental, plenamente integrados à vida da cidade, que facilitem a entrega de serviços públicos e que promovam um balanço inteligente entre habitação, trabalho, lazer e cultura, com predomínio de distâncias caminháveis e  inexistência dos desconfortos da abominável hora do rush.

9° Valorização de atividades voluntárias e comunitárias, que despertem o sentimento de cidadania.

10° Disponibilidade de infraestrutura de proteção contra danos causados pela natureza, como chuvas e secas.

Para terminar, penso que cidades com este perfil sairão do papel muito antes do que se pensa.

Onde elas estarão? Em locais, nos quais os valores que elas expressam forem abraçados por toda a cidadania e patrocinados por prefeitos estadistas dispostos a olhar além do próprio mandato.

Para ajudá-los nesta empreitada, recomendo que leiam também essa outra postagem, na qual aponto algumas dicas para a construção dessa "estrada”. 

Avante, senhores prefeitos. O Brasil agradecerá.

O Dilema da Nova Geração na Antiga Corporação


Um dos grandes desafios das organizações contemporâneas, sejam elas privadas ou governamentais, gira em torno de como conciliar a maneira de trabalhar, moldada em cima de hierarquias rígidas, profusão de departamentos, restrição à criatividade, só para citar alguns dos traços que ajudaram a construir a era industrial, com os anseios de jovens que vivem em uma sociedade caótica, globalizada, na qual as novas tecnologias são utilizadas de forma tão intensa e natural em seus processos de aprendizagem, relacionamento e lazer, que dificultam a percepção, por parte deles, que já houve, não faz muito, um mundo sem Internet.
Por conta dessas características, o local de emprego é o campo de batalha onde esses conflitos vêm a tona de forma mais marcante. Observem que a mesma angústia do antigo profissional, averso à inovação, tem, ao se deparar com um tablet ou smartphone,  é encontrada entre os nativos digitais ao observar carimbos e caixinhas de entrada e saída de documentos em papel.
Esse embate não vai ser fácil e o resultado ainda é nebuloso. Um aspecto, no entanto, ficou evidente pelo relato dos especialistas com os quais tenho conversado. Nessa luta, as organizações vão ter que mudar mais do que os jovens ingressantes. O motivo é surpreendentemente simples. Esse novo funcionário é também o novo fornecedor, o novo consumidor (para a empresa privada) e o novo cidadão (para os governos de uma forma geral). Eles estão atacando de todos os lados.
No caso particular dos governos, esta questão merece um exame ainda mais aprofundado, na medida em a idade média dos funcionários públicos, de uma forma geral, não obstante a realização de muitos concursos, em anos recentes, encontra-se bem acima da média da população nacional, o que sugere uma crescente incorporação de jovens ao longo dos próximos períodos.

O fato é que, todas as organizações para se manterem competitivas, no caso das empresas privadas, ou representativas, no casos dos governos, deverão examinar e entender os sonhos e valores dos que estão chegando para que, ao iniciar o trabalho, a energia e o idealismo dessa garotada não comecem a derreter.
Neste sentido, o grande sucesso da  empresa paulista 99jobs, que tem como seu principal produto um site cujo objetivo é conectar organizações e pessoas que procuram colocação em torno de um conjunto de valores comuns que confiram a esse casamento uma maior probabilidade de sucesso, já mostra o despertar de algumas organizações para este dilema que tende a se ampliar nos próximos anos.

Concluo esta postagem com um quadro que consolida as principais características destes jovens, com base na experiência de alguns renomados recrutadores.

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Segundo: Governo Único para Cidadão Único.

A visão organizacional que o governo tem de si mesmo é a de ser um amontoado de compartimentos organizados por temas, numa estrutura hierárquica funcional que, de pesado equilíbrio, assenta-se de forma estanque e rígida em sólidas bases da lei.

Por isso, só executa scripts de competências restritas, estimulando o isolamento – quantos governos dentro de um só – e a decorrente ausência de cooperação, refletindo, na visão do cidadão, um governo fragmentado, com algumas ilhas de excelência e grandes continentes de baixa eficiência.

De igual forma, o governo também vê o cidadão de modo fragmentado: às vezes contribuinte, outras motorista, proprietário, aluno, paciente... mas nunca um cidadão único.
E essas fragmentações impedem a visão da pluralidade, do todo, de um único harmônico, impedem o entendimento do que representam um e outro.

retirado de Korea IT Times

O governo que se apresenta em fragmentos, naturalmente por agir de forma fragmentada, dispersa responsabilidades, desperdiça recursos, nega estratégias e se estranha ao ter projetos transdisciplinares a realizar. É aí que se agrava a falta de um governo único e unido.

A complexidade de governar nos dias de hoje é de tal monta que, se insistir na estrutura linear como mandatória nesse processo, os governos não conseguirão resultados completos. Não se trata apenas de ter a abordagem sistêmica na execução de projetos, mas também o pensamento sistêmico na hora de organizar estruturas e processos.

Tomemos por exemplo as bases de dados do governo. Sabemos que as bases de transportes mal falam entre si e nada trocam com as bases da saúde, da educação, da habitação e assim por diante. Esse caos em dados é reprodução do isolamento organizacional, do individualismo das áreas,  aquele que nos faz ouvir frases do tipo “isso não é problema nosso” e que depois lamenta a falta de integração das bases.

Ora, num governo único, qualquer problema do governo é “problema nosso”, é problema do todo e, se o todo estiver conectado, a solução virá de forma mais barata e eficaz. Integrar as bases de dados é fundamental para o governo único, mas pensar de forma integrada talvez seja ainda o maior desafio. Um governo que se organize e preste serviços em 360 graus em torno do cidadão.

Assim também é ao olhar para o cidadão. Como pode não haver empatia entre servidor público e cidadão? Como pode um governo responsável por cuidar da trajetória do cidadão, de sua educação, da sua saúde, moradia, deslocamentos e oportunidades no mercado de trabalho, sem entendê-lo como único?

As Secretarias e órgãos do governo, apesar de saberem do aspecto multifacetado do cidadão, concentram-se naquela faceta que lhes compete, portanto sabem mas não conhecem o cidadão. Penso que seja sensato atender a um jovem em um posto de saúde e, em caso de uma doença contagiosa, de imediato, a escola em que ele estuda será notificada. Pois bem, isso não acontece assim tão automaticamente.

Imagine então as correlações que poderíamos fazer entre educação, prontuário médico, uso de benefícios assistenciais, emprego e segurança, a fim de ajustar políticas públicas e melhorar a prestação de serviços. Imagine também que podemos agrupar esses serviços por estágio ou evento da vida em que está o cidadão, atendendo-o com soluções completas.

Este é um princípio que efetivamente revolucionará os serviços públicos, acredite.

Olhar o todo não pode significar a olhar a superfície. Significa olhar com profundidade, com conhecimento e com dedicação o que compõe o todo e seu entorno circunstancial. Parece lógico que daí virão novos e melhores serviços.

E, apesar de já termos a tecnologia para tudo isso, falta-nos a ação.

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Primeiro: Centrado no Cidadão

De modo geral, os serviços centrados no cidadão, também chamados serviços com foco no usuário, é um princípio que busca desenvolver e prestar o serviço tendo por objetivo oferecer a melhor experiência a seu utilizador, que no caso de serviços públicos é o cidadão.
Meios de Prestação de Serviços ao Cidadão, destaque para o Serviço Presencial alinhado por Evento da Vida.  (fonte: iGovSP, 2011)

O inverso deste princípio são os serviços centrados no sistema, que desde sua concepção até sua prestação, preocupam-se com o funcionamento sob a ótica dos órgãos, equipamentos e sistemas ( organizacionais ou de dados), com baixo envolvimento ou intervenção humana.

Ocorre que, por vários motivos, muitos serviços públicos orientados para o cidadão seguem o princípio de serem centrados no sistema, que ocasiona conflitos de razão, de significado do serviço e desagregação de valor, comumente presenciados nos pontos de toque (touchpoints) entre governo e cidadão.

Desde instalações físicas, capacitação de funcionários, horários e formas de atendimento, formulários, comunicação visual até a interface de sites e serviços eletrônicos, todos representam pontos de toque cidadão-governo em que, na maior parte das vezes, são negativos ao cidadão.
Ao adotar como regra o foco no cidadão para o desenvolvimento e prestação de serviços públicos, o governo apoia a melhoria dos serviços nos seguintes pontos:

1     Empatia
Na medida em que o prestador do serviço ou o desenvolvedor se coloca no lugar do cidadão, as necessidades, desejos e oportunidades de um melhor serviço passam a ser percebidas e entram no rol de problemas a serem resolvidos. Também, pela empatia, consegue-se um entendimento mais profundo de quem é o público-alvo daquele serviço do governo.

         Experiência de Uso
Projetar novos serviços com foco no cidadão consiste também em planejar para além do serviço em si, mas tentar reorganizar ou reagrupar esse serviço na perspectiva de uso, como é o caso de alinhar por Evento de Vida, exemplo ilustrado na figura acima. 
É preciso projetar o que ocorre antes e depois da realização do serviço, entender qual é a jornada do usuário, que envolve fatores como: o que deve ser feito para que o cidadão conheça o serviço antes de usá-lo, como ele chegará até o local ou site, como sairá de lá, como avaliará o serviço etc.

         Colaboração
Construir com a sociedade é mais do que construir para a sociedade. Dispomos hoje de meios e tecnologias que ampliam e facilitam a cocriação de serviços e temos que adaptar os órgãos prestadores a captar e tornar produtiva a participação do cidadão nos serviços do Estado.

        Padronização
Alguns serviços estaduais, como o Poupatempo, foram bem-sucedidos ao considerar os pontos de apoio anteriormente relatados. Deve-se então promover adaptações e estender esses padrões a outros serviços, como na Saúde, Segurança Pública e Educação.

É fato que os serviços eletrônicos constituem atualmente a grande oportunidade de servir mais e melhor à população. Assim, esses valores também cabem aos meios eletrônicos, que irão requerer padrões específicos de desempenho e experiência de uso.

Penso, no entanto, que esse seja apenas um dos cinco princípios norteadores para os novos serviços públicos. Os demais, comentarei adiante. 

Última Saída: Criatividade



Tudo muda de forma avassaladora nos dias de hoje. É como se todos estivéssemos em cima de uma esteira ultrarrápida e, o que é pior, com a velocidade aumentando a cada momento.

Mais ainda, você não sabe o destino da esteira e nem o momento exato de pular fora.

Neste cenário, que só tende a se tornar mais crítico ao longo dos próximos anos, diminui o espaço das respostas prontas, dos manuais, dos procedimentos inquestionáveis. Em outras palavras, a nossa zona de conforto está cada vez mais estreita e nada, até o momento, sugere que esse quadro vá se estabilizar.

Qual a saída? 

Se eu soubesse, prazerosamente, dividiria com vocês. Mas, pelo menos até onde eu possa enxergar, não a vislumbro. Desconfio de saídas mapeadas, fáceis de encontrar. Normalmente o caminho pode ser até agradável, mas quase sempre nos transporta para becos sem saída. 
O que posso antecipar, nesse ambiente caótico, é que a criatividade passou a ser um atributo que vale ouro. Quando não há saídas prontas, é preciso inventá-las.

Ocorre que, colocar a criatividade na ordem do dia, não é tarefa que se faça em um piscar de olhos. As escolas moldadas pelas demandas da sociedade industrial foram concebidas para inibi-la e não para fazê-la aflorar. Nelas, o obedecer vem antes do pensar. Reverter esse quadro requer reinventar todo o sistema educacional, o que não é fácil, nem para quem ensina, nem para quem aprende.

A dificuldade, entretanto, não serve de desculpa para deixar o problema para lá. A reconstrução é inevitável e cabe fazê-la o mais rápido possível. Neste sentido, felizmente, tem crescido, em anos recentes, o número de escolas que vem trabalhando seus currícula e métodos pedagógicos, no sentido de aproximá-los das complexas demandas da nascente sociedade do conhecimento, ávida por cabeças pensantes, capacidade analítica e visão compreensiva dos problemas. 

Os três vídeos, a seguir apontados, para os quais peço a atenção de vocês, tratam dessas mudanças e cumprem o sagrado papel de nos fazer pensar.

O primeiro, para quem ainda não assistiu, mostra a clássica palestra do educador Ken Robinson proferida no TED

O segundo, mostra uma animação muito bem feita, narrada por Gustavo Horn, que dá boas dicas sobre esse tal de processo criativo.

O último, especula como seria essa escola do futuro.

Não Deixe Sua Informação Virar Traça


Um dos paradigmas gerenciais, que felizmente está indo por água abaixo na sociedade do conhecimento, é o famoso “informação é poder, e por isso eu não a divido com ninguém”.

Nunca acreditei muito nessa lorota, mas agora o fracasso dessa postura está ficando mais evidente.

Minhas impressões sobre cinco dos porquês, que podem explicar essa virada:

1. Informação antes era estoque, agora é fluxo. Como quase tudo atualmente, o ciclo de vida de uma informação é curtíssimo. Assim, um gerente à moda antiga pode pensar que está guardando uma mina de ouro, quando na verdade, ao abrir a gaveta, encontrará apenas traças;

2.  Na era da internet e das mídias sociais, os gerentes passam a ser avaliados por suas relações. Quem não troca informações não cresce profissionalmente e passa a marcar passo na carreira. Cada vez mais as organizações, ao recrutarem novos profissionais, observam, além do curriculum tradicional do pretendente, sua presença no mundo virtual, representada por postagens em blogs, participação em fóruns técnicos, inserção em redes sociais, entre outras. Quanto mais “estrelinhas” o gerente conquistar nesse universo, maior será sua chance de sucesso profissional;

3.  As organizações contemporâneas esperam de um gerente que ele seja muito mais do que um mero guardador de informações, estimulando a geração continuada de conhecimento, que, como já sabemos, é o único insumo que só se multiplica quanto é dividido. Como participar desse ciclo, sem trocar figurinhas o tempo todo?

4.  As novas gerações, hiperconectadas, ao ingressarem no mercado de trabalho trazem dentro de suas cabeças novos modelos mentais, centrados na colaboração e na cocriação, e acham esquisito quem não age assim. Um gerente que não tenha a humildade de rever suas práticas irá, com o passar do tempo, estreitando seus horizontes;

5. Com o crescimento das incertezas e da natureza complexa dos problemas a serem tratados nas organizações, nenhuma especialização sozinha consegue articular soluções efetivas.  O jeito é buscar outras visões com as quais se possa aprender e ensinar. Observe que, hoje, projetos complexos só vão para frente quando idealizados, construídos e implantados sob uma abordagem transdisciplinar.

Abandonar paradigmas que prevaleceram por tantos e tantos anos não é tarefa fácil para nenhum de nós, o que, entretanto, não nos exime de tentar novos caminhos. Mesmo que os primeiros quilômetros possam ser angustiantes, aos poucos essa sensação irá sendo trocada por uma bela “paisagem”, que, neste caso, simboliza a confiança reconquistada.

A Criatividade é o Gênio Dentro da Garrafa



Quanto mais complexo e imprevisível torna-se o mundo, mais as soluções prontas perdem efetividade.

Por isso, as organizações contemporâneas dão, a cada dia que passa, mais importância ao recrutamento de pessoas talentosas que enxerguem soluções para problemas considerados insolúveis, quando filtrados por modelos mentais construídos em momentos de águas menos revoltas.

Nessa caça ao tesouro, vem a tona a velha questão: criatividade é um dom ou se aprende? Quem nos lê sabe que advogamos a ideia da aprendizagem. As escolas abriram mão de formar pessoas criativas por que o mercado pedia perfis mais comportados. Hoje, esse cenário mudou abruptamente e as escolas começam a se reconstruir. Mas isto leva tempo, muito tempo. Por isso mesmo, as próprias organizações podem e precisam ser “escolas” de criatividade.

A esse respeito, acabei de ler, no Linkedin, um texto de Bob Gilbert, presidente da "Captivation Marketing", que reitera a ideia de que a criatividade é um atributo que todos temos, mas que, nem sempre, ou, mais corretamente, quase nunca desenvolvemos.

A partir de sua larga e exitosa experiência de trabalhar com pessoas talentosas, Bob descreve, nessa postagem, sete dicas para destravar a criatividade nos planos pessoal e organizacional.

Aponto abaixo a minha pessoal e resumida leitura dos pontos muito oportunamente identificados por Bob.

1. Tenha uma meta que possa ser descrita em 30 segundos. Lembremo-nos do ensinamento de Sêneca de que não há bons ventos para quem não sabe aonde quer chegar.

2. Junte cabeças talentosas em um ambiente multidisciplinar, aberto ao diálogo e à fertilização de ideias.

3. Comece a jornada fazendo um exercício lúdico, como uma charada por exemplo, para exercitar sua cabeça. Limite esse warm-up a algo em torno de 30 minutos.

4. Mantenha o alto astral. Ambientes carregados de maus fluidos formam uma barreira insuperável para a criatividade.

5. Aguce a curiosidade. Use e abuse dos “porquês”, sem cair na armadilha do perfeccionismo.

6. Junte as peças do tabuleiro. Ver o todo é fundamental. Enxergar cada peça, isoladamente, pode levar a erros grosseiros.

7. Habitue-se a anotar seus insights, mesmo que eles ocorram fora do ambiente de trabalho. Boas ideias não batem ponto.

Dê uma chance ao gênio que vive dentro de você. Abra a "garrafa".

Inovação Em Governo: A Fila Começa A Andar

Em 1999, Peter Drucker afirmou que o grande desafio da gestão no século XXI seria aumentar a produtividade do trabalhador do conhecimento na mesma proporção que ela propiciou ao trabalhador da indústria.  Ressalvou, no entanto, que, dadas as características bem distintas de cada uma das economias, os métodos a serem adotados pelas organizações serão obrigatoriamente diferentes.

Passados 15 anos dessa menção, diversos pensadores, de diferentes escolas de pensamento, em distintos locais do planeta, ainda estão concebendo, testando e aprimorando os, tais métodos vislumbrados por Drucker. Em momentos como este, a inércia do passado ainda se impõe sobre a dinâmica do futuro.

Com o passar do tempo, essa inércia irá diminuir e as organizações privadas e os governos terão obrigatoriamente que redesenhar seus processos de trabalho à luz dessa nova sociedade centrada no conhecimento. As organizações privadas que não o fizerem serão engolidas pela concorrência criativa e os governos perderão poder de articulação e coordenação.

É exatamente sobre a capacidade de comando do setor público na era do conhecimento que gostaríamos de falar um pouco mais na sequência dessa postagem.
O Chile ofereceu, há cerca de um mês, um inspirador exemplo de preocupação dos governos com a nova economia centrada no conhecimento ao explicitar a importância da inovação em sua estratégia de governo.

Ao apresentar a Agenda de Produtividade, Inovação e Crescimento, a presidente chilena, Michele Bachelet, mencionou que a nova economia demanda um País que vá além da exploração e exportação de recursos naturais e, para tal, precisa de um governo com capacidade de coordenar atores relevantes e estimular a inovação.

Essa agenda engloba sete eixos e 47 medidas, que além de abordar a questão da inovação tecnológica, envolvendo o incentivo a startups, infraestrutura para inovação, entre outros, incorpora temas ainda pouco percebidos como a inovação social e a inovação no setor público, inclusive com a criação de um laboratório de inovação em governo, nos mesmos moldes do igovLab, iniciativa igualmente pioneira do governo de São Paulo, ora em projeto.

Para baixar o documento que enumera e comenta de forma sintética cada uma das medidas apresentadas pela Presidente Bachelet, clique aqui.