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Números não mentem, mas às vezes se escondem

Você sabe quantos brasileiros já nasceram hoje? E quantas sessões de cinema foram exibidas em 1980? Sabe qual a despesa pública que temos com educação atualmente?


As questões aparentemente irrelevantes em nosso corrido cotidiano, reforçam a relação de confiança dada através da transparência entre Estado e cidadão. A população se sente parte de uma construção conjunta e passa a refletir sobre números até então ignorados, tornando-se politicamente participativa dentro da sociedade. As vantagens dessa inovadora forma de relação é prática em alguns países e começa agora a ser experimentada em Portugal.


No site da Pordata a população consegue acessar o banco de dados estatístico português, disposto de maneira simples em uma interface amigável. São 12 categorias diferentes, incluindo Cultura, Proteção Social, Despesas Familiares e Contas do Estado.


O projeto é apoiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e será dividido em três fases. A inicial disponibiliza dados para Portugal. A segunda disponibilizará dados para toda a União Européia e, por fim, as informações sobre as regiões e os municípios portugueses serão detalhados. Todas as informações seguem por base a ordem cronológica dos dados estatísticos, chegando a datar o ano de 1960 e registrando sua evolução até os dias atuais.


No entanto, o portal vai além de um belo acervo virtual de dados estatísticos e permite com que o internauta interaja, escolhendo quadros e gráficos de seu interesse, cruzando variáveis, calculando taxas de variação e porcentagens e exportando o resultado para o formato escolhido (pdf., xls., doc. ou jpeg.).


A preocupação com a arquitetura de informação garante que o conteúdo desejado seja disponibilizado em poucos cliques, satisfazendo os objetivos do usuário sem que ele precise ser um avançado entendedor de tabelas ou gráficos.


No Governo de São Paulo, um portal semelhante sobre as estatísticas e outros dados do Estado é o da Fundação SEADE, que há muito tempo dispõe desse serviço ao cidadão. Um rico acervo paulista de consulta franqueada e utilíssima a pesquisadores e a sociedade em geral, mas ainda lhe falta em interatividade e liberdade para as bases.


Fico com a sensação de que é preciso fazer mais com essa complexidade informacional, é preciso entregar as bases para a sociedade, como vimos defendendo neste espaço quando falamos em governo aberto ou quando vemos as ações de Civic Hacking ganhando os jornais. É preciso também criar e aproveitar novas formas de demonstrar esses dados, como aquelas que o Many Eyes ou o Google Public Data Explorer nos habilita a montar com simplicidade.


Com dados públicos e ferramentas de inteligência social, será mais fácil saber onde estamos e pra onde podemos ir.

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