Pular para o conteúdo principal

Objetivos e valores do Laboratório de Inovação

Um laboratório de inovação em governo pode atuar desde a criação de novas políticas públicas até a prototipagem de serviços prestados ao cidadão. A diferença não se trata apenas de níveis da gestão (estratégica e operacional), mas também define o porquê deve existir o lab, sua estrutura, seus objetivos e quais valores irá agregar ao governo.

Objetivar amplitude e formas de atuação nos ajuda a relacionar quesitos, estabelecer limites e buscar as parcerias certas.

Antes de apresentar uma nova relação sobre os aspectos de construção do laboratório, como os aspectos projetuais colocados em post anterior, apresento uma lista que pode ajudar a definir com um pouco mais de formalidade e precisão, após respondido o checklist projetual, para que está sendo criado o laboratório e no que pode contribuir para um governo inovador.

A ideia é de que usemos essa relação para selecionar aqueles itens que se aproximam com os objetivos do lab que pretendemos construir ou significar, mantendo em mente o "porquê e para que existe", confrontando com as necessidades e desafios inerentes à empreitada.


Assim sugerimos a reflexão sobre os objetivos e as atividades que demandarão para o lab:
  • gerar novas formas de comunicação para a administração pública;
  • gerar novos mecanismos para a participação cidadã;
  • incorporar tecnologia e modernizar processos;
  • gerar inovação organizacional e direta;
  • criar um ambiente de inovação na organização;
  • abrir dados da administração;
  • criar a cultura de trabalhar com dados para decisões;
  • projetar e/ou criar softwares, aplicativos, serviços eletrônicos;
  • implementar experimentos aleatórios;
  • formar redes internas e engajar funcionários para incorporar ideias de servidores;
  • fazer análise de dados para melhoria da gestão;
  • realizar pilotos e protótipos;
  • realizar treinamento e capacitação em abordagens colaborativas;
  • implementar design thinking (de serviços, negócios, sprint etc);
  • implementar metodologias de design centrado no ser humano;
  • avaliar e realizar design e redesign de serviços públicos;
  • avaliar e realizar design e redesign de políticas públicas;
  • incorporar ideias de cidadãos;
  • formar redes externas com outras esferas e poderes.

De forma complementar aos objetivos estão suas características de agregação de valores, os benefícios para a instituição e seus usuários ao serem cumpridos. Essas características, a seguir, conferem aos "porquês" do lab os valores funcionais dessa existência, como se um "para quê serve" fosse respondido na mesma sentença.

Selecione ou crie valores inovadores do seu ambiente institucional, tais como:
  • visão multidisciplinar sobre problemas;
  • visão externa de políticas públicas;
  • vínculo com atores diversos dentro e fora do governo;
  • conhecimento de metodologias de design, experimentação e avaliação;
  • conhecimento sobre ciência de dados;
  • ideias externas para serviços públicos;
  • porta de entrada de iniciativas inovadoras;
  • flexibilidade e baixo nível de desburocratização;
  • entendimento do que é inovação em governo;
  • identificação de oportunidades de mudança e brainstorm de soluções;
  • prototipação, coleta de feedbacks e refinamento de soluções.
Espero que essas duas relações, somadas ao post anterior, tenham ajudado na aproximação projetual do laboratório. Como sempre, usem, compartilhem e, em caso de dúvidas, comentem.

Sobre as imagens que ilustram este post, retratam o primeiro laboratório de inovação em governo que temos conhecimento. Em 1916, em Cincinnati, o governo americano aprovou a criação do National Social Laboratory, sob comando de Wilbur C. Philips, autodenominado inventor social, algo bastante inovador até nos dias de hoje. 
Entre os objetivos do NSL estava “participação cívica como condutora de estratégias para os serviços públicos”, dessa forma seus valores, apesar de implícitos, voltavam-se à cocriação e prototipagem de serviços. 
Embora tenha durado pouco menos de três anos, é nesse laboratório que registram-se as primeiras modelagens de serviços como exames médicos pré e pós natal, hortas comunitárias, consumo consciente e produção e consumo de alimentos sem agrotóxicos.  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.
Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não im…

Design Thinking em Governo: abrem-se os caminhos

Temos dedicado muito tempo de nossas pesquisas na avaliação da metodologia de Design Thinking, adaptada a governo para apoiar a inovação, na tentativa de adotá-la para a criação e reformulação de serviços públicos. O Pepe já havia comentado aqui anteriormente sobre Roger Martin e o Design de Negócios, bem como nos trouxe uma trilogia de posts ( 1, 2 e 3 ) apontando a aplicação que pode ser dada ao tema em governo, baseado também na obra de Tim Brown e nos cases da IDEO.

Nossas impressões foram confirmadas com a recente publicação de dois trabalhos que a IDEO realizou junto a The Partnership for Public Services, entidade não governamental que trabalha para produzir inovação em governo nos EUA. Essas publicações, que considero leitura obrigatória, estão dirigidas a dois públicos distintos:


Innovation in Government: para todos envolvidos em inovação, é uma agradável e bem organizada leitura que introduz o assunto inovação em governo, baseada em depoimentos de especialistas, apresentando …

Habilidades e Atitudes do Novo Gerente

Os gerentes que, ao longo dos próximos anos, ambicionarem progressos consistentes em suas carreiras deverão dedicar particular atenção à readequação de suas competências e habilidades, recalibrando-as no sentido da chefia tradicional para a liderança de equipes, do “mandar” para o “convencer”, do “eu ganhei, nós empatamos e vocês perderam” para o “tamo juntos”, só para exemplificar.
Esta, seguramente, não será - ou não tem sido, para aqueles que já iniciaram essa caminhada - uma mudança fácil, pois envolve, além de crescentes esforços de atualização no âmbito estritamente técnico, uma profunda remontagem nos modelos mentais tradicionais.
No campo técnico, a rápida e incansável diminuição no ciclo de vida de processos e produtos tem colocado, cada vez mais, a aprendizagem continuada na ordem do dia. O know-how dos colaboradores e, por consequência, das organizações, sofre ataques praticamente diários que empurram a atividade “aprender” para dentro da “folhinha de produção”. Nesse cenário…