Pular para o conteúdo principal

Manual do reboot em governo

Fico um pouco desconfortado quando ouço ou leio sobre o "otimismo da Obamamania" colocado em tom de deboche e exagero, parece que aqueles que acreditam ou externam sua esperança na gestão de Obama são tolos, ingênuos o suficiente para não verem a realidade que o exercício do poder imprime sobre qualquer mandatário, bem ou mal intencionado. Isto não é verdade.

No caso dos "bem intencionados", o otimismo se distingue da realidade ou do pessimismo por oferecer a oportunidade de inovar, de mudar, de melhorar o estado das coisas e as coisas do Estado. É assim que surgem as boas idéias e as propostas que de fato interessam, mostrando-nos caminhos que são, no mínimo, alternativas para o desenvolvimento e para a inovação. É melhor que o otimismo, com certos limites é claro, contagie as pessoas a ponto de abrir portas e janelas para novos ares.

Um bom exemplo é o Personal Democracy Forum, dedicado às mudanças que a tecnologia pode provocar na política e na gestão pública, que recentemente disponibilizou uma antologia de 40 ensaios sobre governo 2.0, indo desde as eleições e as novas formas de organização civil, até as formas de participação do cidadão nas decisões governamentais, tendo em vista as atuais e futuras tecnologias.

O livro Rebooting America reúne visões múltiplas, porém convergentes, de um governo 2.0 que pode liderar e foi publicado na perspectiva de servir a um governo de mudança e inovação, como parece-nos, com o otimismo que convém, o governo Obama. Seus autores, experientes em tecnologia e políticas públicas, apresentam um caminho para os próximos dez anos que em nenhum momento confunde-se com a futurologia cibernética, mas pauta-se no redor e no recente para propor mudanças em governo.

Com boa dose de humor, espero que alguma editora o publique também em português. Curiosa coincidência, há algumas semanas eu escrevia aqui sobre a necessidade de "um reboot capaz de mudar o funcionamento de toda a gestão, pelo update democrático"; estamos sintonizados.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.
Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não im…

Design Thinking em Governo: abrem-se os caminhos

Temos dedicado muito tempo de nossas pesquisas na avaliação da metodologia de Design Thinking, adaptada a governo para apoiar a inovação, na tentativa de adotá-la para a criação e reformulação de serviços públicos. O Pepe já havia comentado aqui anteriormente sobre Roger Martin e o Design de Negócios, bem como nos trouxe uma trilogia de posts ( 1, 2 e 3 ) apontando a aplicação que pode ser dada ao tema em governo, baseado também na obra de Tim Brown e nos cases da IDEO.

Nossas impressões foram confirmadas com a recente publicação de dois trabalhos que a IDEO realizou junto a The Partnership for Public Services, entidade não governamental que trabalha para produzir inovação em governo nos EUA. Essas publicações, que considero leitura obrigatória, estão dirigidas a dois públicos distintos:


Innovation in Government: para todos envolvidos em inovação, é uma agradável e bem organizada leitura que introduz o assunto inovação em governo, baseada em depoimentos de especialistas, apresentando …

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Terceiro: o Governo como Plataforma

A ideia de Tim O'Reilly ao criar o termo e a abordagem de Governo como Plataforma, foi dar uma perspectiva de valor de patrimônio e de uso aos dados governamentais. Inicia explicando que as plataformas seguem uma lógica de alto investimento, onde praticamente só o Estado é capaz de investir, mas permitem à população, ao utilizarem essa plataforma, gerar riquezas.

Temos um claro exemplo ao pensar em uma rodovia como esse investimento. O governo a constrói, mas a entrega aos usuários para trafegarem seus produtos, serviços, passageiros, estimular turismo e economias integradoras etc.. Em outras palavras, uma plataforma rodoviária do governo, mesmo em concessão, será usada pela sociedade, mesmo a custo de pedágios.

O mesmo serve para plataformas digitais. O governo americano durante a gestão Reagan, em 1983, tornou disponível ao mundo o Sistema de Posicionamento Global - GPS. A partir do uso mundial dessa plataforma podemos calcular quantos outros produtos e serviços foram gerados, a…