Pular para o conteúdo principal

O Buraco é Mais Embaixo


Muito boa a iniciativa da BandNews FM SP em contabilizar os buracos da capital de São Paulo, a partir da colaboração dos moradores da cidade. 

O mapa da situação no dia de hoje pode ser visto clicando aqui.

A análise desse gráfico conduz a algumas constatações:

1. A inteligência coletiva, que é gratuita, é muito mais eficiente do que os fiscais formalmente constituídos quando se trata de detectar problemas de zeladoria urbana.

2. Os problemas explicitados pelo mapa, e só estamos falando de buracos, são de tal volume que escancaram o descompasso entre a demanda por serviços urbanos e a capacidade do setor público em saná-los.

3. Prefeituras bem intencionadas devem considerar iniciativas como esta da BandNews como pistas para rever formas arcaícas de gestão urbana, que incentivam a corrupção e conduzem ao imobilismo e, a partir daí, modelarem formas criativas de incorporar a cidadania no trabalho de zelar pela cidade. Quem acompanha este blog vem observando que vários países já estão envolvidos nessa cruzada.

Em síntese, este problema é mais um indicador de que governos excessivamente burocratizados não mais conseguem dar respostas satisfatórias a um sociedade cada vez mais articulada em rede. Um anda de maria fumaça, a outra de trem bala.

Comentários

Legal essa da BandNews, vai na mesma linha do fix my street britânico e do colab.re, de Recife. Governos de visão incorporam essa ajuda da população aos seus processos.
Alvaro Gregorio disse…
O que é comum - e lamentável - é que os governos não participam oficialmente desses ambientes.

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.
Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não im…

Design Thinking em Governo: abrem-se os caminhos

Temos dedicado muito tempo de nossas pesquisas na avaliação da metodologia de Design Thinking, adaptada a governo para apoiar a inovação, na tentativa de adotá-la para a criação e reformulação de serviços públicos. O Pepe já havia comentado aqui anteriormente sobre Roger Martin e o Design de Negócios, bem como nos trouxe uma trilogia de posts ( 1, 2 e 3 ) apontando a aplicação que pode ser dada ao tema em governo, baseado também na obra de Tim Brown e nos cases da IDEO.

Nossas impressões foram confirmadas com a recente publicação de dois trabalhos que a IDEO realizou junto a The Partnership for Public Services, entidade não governamental que trabalha para produzir inovação em governo nos EUA. Essas publicações, que considero leitura obrigatória, estão dirigidas a dois públicos distintos:


Innovation in Government: para todos envolvidos em inovação, é uma agradável e bem organizada leitura que introduz o assunto inovação em governo, baseada em depoimentos de especialistas, apresentando …

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Terceiro: o Governo como Plataforma

A ideia de Tim O'Reilly ao criar o termo e a abordagem de Governo como Plataforma, foi dar uma perspectiva de valor de patrimônio e de uso aos dados governamentais. Inicia explicando que as plataformas seguem uma lógica de alto investimento, onde praticamente só o Estado é capaz de investir, mas permitem à população, ao utilizarem essa plataforma, gerar riquezas.

Temos um claro exemplo ao pensar em uma rodovia como esse investimento. O governo a constrói, mas a entrega aos usuários para trafegarem seus produtos, serviços, passageiros, estimular turismo e economias integradoras etc.. Em outras palavras, uma plataforma rodoviária do governo, mesmo em concessão, será usada pela sociedade, mesmo a custo de pedágios.

O mesmo serve para plataformas digitais. O governo americano durante a gestão Reagan, em 1983, tornou disponível ao mundo o Sistema de Posicionamento Global - GPS. A partir do uso mundial dessa plataforma podemos calcular quantos outros produtos e serviços foram gerados, a…