Pular para o conteúdo principal

Entre a análise e a criatividade, fique com ambas

A mensuração da produtividade na era do conhecimento vai, cada vez mais, se distanciando daquela utilizada na era industrial. Hoje em dia, notadamente nos segmentos voltados para a produção de bens e serviços mais sofisticados, o grande desafio organizacional está, primeiro, em trazer à tona a capacidade criativa de seus funcionários e, depois, em transformar esses “insights” em efetiva inovação.

Ocorre que a grande maioria das organizações, ainda hoje, possui estruturas, técnicas e normas criadas para maximizar a produtividade no sentido industrial puro, ou seja, para garantir que tarefas repetitivas sejam cumpridas com o máximo de velocidade e o mínimo de falhas. O grande referencial aqui é o cenário passado.

Quando as coisas mudam muito depressa, como ocorre na atualidade, isto não é suficiente. É preciso saber o que fazer para garantir que a vantagem competitiva atual continue ocorrendo em situações que não puderam ser observadas antes.

O mais recente livro de Roger Martin, "Design de Negócios", recém lançado no Brasil pela Elsevier/Campus, trata exatamente deste problema.

A proposta do autor, explicada ao longo da obra, é utilizar o “design thinking” como um método de trabalho que, em suas próprias palavras, busque a reconciliação entre a gestão analítica, predominantemente atrelada à produtividade no sentido industrial, e a gestão inovadora, centrada na continua criação de conhecimento novo.

Segundo o autor, organizações orientadas meramente pela análise, tenderão a perder fôlego ao longo do tempo, uma vez que a probabilidade de que estas venham a ser atingidas por algum inesperado “exocet”, isto é um produto, serviço, ou técnica revolucionária que comprometa sua competitividade, é altíssima.

Por outro lado, organizações muito criativas, mas que não saibam sistematizar seus processos, tendem a passar da euforia à depressão muito rapidamente.

Na próxima postagem, falarei mais detalhadamente sobre o que vem a ser o “design thinking” e sobre os principais obstáculos a serem vencidos para implementar este novo modelo nas organizações privadas, em busca da sustentação da lucratividade, e nos governos, na corrida pela modernização e manutenção da representatividade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles iniciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia.

Isto por que, na maioria dos 5563 municípios brasileiros, independente de porte ou localização, há um imenso descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las. Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno século XXI, índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU.
Bem, a choradeira para por ai. O que gostaríamos de falar, daqui para a frente, para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as grandes alterações que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo novas oportunidades para os municípios, não im…

Quem Fica Olhando Muito Para Trás, Tem Um Grande Passado Pela Frente

A frase que dá título a este post, proferida pelo grande filósofo e professor Mario Sergio Cortella, deve servir de alerta a muitos de nossos prefeitos. 
A maioria deles ainda enxerga a atração de indústrias como o único caminho para o desenvolvimento de uma cidade. Esta visão, formada nos tempos em que fábrica era sinônimo de riqueza, tem feito com que novas oportunidades de crescimento, vinculadas a uma economia cada vez mais pujante, centrada no conhecimento, o mais valioso insumo dos nossos dias, não sejam devidamente estudadas, exploradas e aproveitadas.
O que os senhores prefeitos precisam descobrir, desde já, é que nos dias atuais há uma nova "estrada", ainda mal sinalizada, para cidades que almejam um papel de destaque na emergente sociedade do conhecimento. De antemão, asseguro que para chegar a ela não basta usar a velha e onerosa prática de atrair empresas. O sucesso para galgar essa nova "estrada" depende da atração de talentos, pessoas, gente que possa, …

Design Thinking em Governo: abrem-se os caminhos

Temos dedicado muito tempo de nossas pesquisas na avaliação da metodologia de Design Thinking, adaptada a governo para apoiar a inovação, na tentativa de adotá-la para a criação e reformulação de serviços públicos. O Pepe já havia comentado aqui anteriormente sobre Roger Martin e o Design de Negócios, bem como nos trouxe uma trilogia de posts ( 1, 2 e 3 ) apontando a aplicação que pode ser dada ao tema em governo, baseado também na obra de Tim Brown e nos cases da IDEO.

Nossas impressões foram confirmadas com a recente publicação de dois trabalhos que a IDEO realizou junto a The Partnership for Public Services, entidade não governamental que trabalha para produzir inovação em governo nos EUA. Essas publicações, que considero leitura obrigatória, estão dirigidas a dois públicos distintos:


Innovation in Government: para todos envolvidos em inovação, é uma agradável e bem organizada leitura que introduz o assunto inovação em governo, baseada em depoimentos de especialistas, apresentando …