Pular para o conteúdo principal

Canadá mostra sinais de Governo Aberto


Na edição do podcast Pensando Alto, que gravamos na semana passada, começamos a detalhar o modelo de governo aberto, ou open data government, que brevemente havíamos comentado aqui no iGovBrasil, mas ainda necessita de aprofundamento.

Tenho razões para crer que a inclusão de Open Data na pauta de inovação dos governos é, mais que uma questão de tempo, uma questão de princípios e espírito inovador, capaz de efetivamente aplicar a transparência, a participação e a colaboração na relação governo-cidadão. É, não tenho dúvidas, o melhor a ser feito atualmente pelos dirigentes em governo eletrônico em benefício do governo e da sociedade.

Para os desenvolvedores dos EUA, por exemplo, que usam as bases do Data.gov, a Fundação Sunlight mantém, além de tutoriais, o concurso Apps for America, destinado às melhores aplicações feitas com as bases governamentais, com prêmios que variam de US$ 500 a US$ 10.000 para as ferramentas e APIs desenvolvidas, implantadas e submetidas ao júri, composto por Tim O'Reilly e Chris DiBona, entre outros. Isto apenas ilustra o quanto e como é importante estimular a sociedade, para que novos serviços públicos eletrônicos possam ser produzidos e compartilhados.

Também no Canadá já se percebem iniciativas de Governo Aberto. O site Visible Government, mantido por uma sociedade privada e sem fins lucrativos, promove o desenvolvimento de ferramentas online que visam a transparência de governo e que usam dados apoiados em fontes digitais oficiais.

Entre os projetos da iniciativa canadense, destaco o Disclosed.ca, que recolhe as informações sobre contratos públicos em mais de uma centena de sites federais e torna essas informações facilmente pesquisáveis e trabalhadas pelo cidadão comum. Uma aplicação que facilita aquilo que o governo já divulgava na rede mas, por comodidade ou intenção, de forma complicada e sem ligações inteligentes.

No Brasil, espero pelo dia em que as bases de dados governamentais estejam abertas para download, de modo que a sociedade, para a qual pertencem essas informações, passe a produzir mais conhecimento sobre seus governos e melhor decidir sobre seus caminhos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles i niciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia. Isto por que, na maioria dos  5563 municípios  brasileiros, i ndependente de porte ou localização , há um imenso  descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las.  Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno  século XXI,  índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU. Bem, a choradeira para por ai.  O que gostaríamos de falar, daqui para a frente,  para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as  grandes alterações  que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo  novas oportunida

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Terceiro: o Governo como Plataforma

A ideia de Tim O'Reilly ao criar o termo e a abordagem de Governo como Plataforma, foi dar uma perspectiva de valor de patrimônio e de uso aos dados governamentais. Inicia explicando que as plataformas seguem uma lógica de alto investimento, onde praticamente só o Estado é capaz de investir, mas permitem à população, ao utilizarem essa plataforma, gerar riquezas. Temos um claro exemplo ao pensar em uma rodovia como esse investimento. O governo a constrói, mas a entrega aos usuários para trafegarem seus produtos, serviços, passageiros, estimular turismo e economias integradoras etc.. Em outras palavras, uma plataforma rodoviária do governo, mesmo em concessão, será usada pela sociedade, mesmo a custo de pedágios. O mesmo serve para plataformas digitais. O governo americano durante a gestão Reagan, em 1983, tornou disponível ao mundo o Sistema de Posicionamento Global - GPS. A partir do uso mundial dessa plataforma podemos calcular quantos outros produtos e serviços foram gerado

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Segundo: Governo Único para Cidadão Único.

A visão organizacional que o governo tem de si mesmo é a de ser um amontoado de compartimentos organizados por temas, numa estrutura hierárquica funcional que, de pesado equilíbrio, assenta-se de forma estanque e rígida em sólidas bases da lei. Por isso, só executa scripts de competências restritas, estimulando o isolamento – quantos governos dentro de um só – e a decorrente ausência de cooperação, refletindo, na visão do cidadão, um governo fragmentado, com algumas ilhas de excelência e grandes continentes de baixa eficiência. De igual forma, o governo também vê o cidadão de modo fragmentado: às vezes contribuinte, outras motorista, proprietário, aluno, paciente... mas nunca um cidadão único. E essas fragmentações impedem a visão da pluralidade, do todo, de um único harmônico, impedem o entendimento do que representam um e outro. retirado de  Korea IT Times O governo que se apresenta em fragmentos, naturalmente por agir de forma fragmentada, dispersa responsabilid