Pular para o conteúdo principal

Transição para iGoverno: yes, they can


Dedicamos anteriormente neste blog vários posts à campanha eleitoral de Barack Obama, elogiada pelo uso da internet e das ferramentas sociais, também comentada em nosso podcast, que adiciona os elementos estatísticos e estratégicos que foram recentemente revelados sobre essa vitoriosa campanha.

Entre as revelações, a NewsWeek está publicando online uma enorme reportagem em sete partes, contando os bastidores da campanha, que inclui alguns toques da estratégia web e os conflitos entre crackers.

Também sobre os bastidores webelections, o Chicago Tribune exibe fotos e comentários do comitê de campanha, apresentando Chris Hughes, jovem de 24 anos e um dos fundadores do FaceBook, que ganhou o posto de "guru da campanha online". Não esqueçamos que em 2007, o então senador Obama teve um encontro com Marc Andreessen, aquele que criou o Netscape e o portal de rede social Ning, justamente para aprender sobre ferramentas sociais. Esse encontro é relatado por Andreessen em seu blog.

Entretando, passada a ressaca das eleições, é hora de olharmos a transição; e neste ponto a equipe do presidente eleito também não decepciona.

Eu já havia acessado o White House Transition Project, que existe desde 1997 e relata todas as transições presidenciais, oferecendo um acervo de recursos e documentos, entre eles o "Recommendations for an Effective 2008 Transition", de Clay Johnson, executivo de governo e quem cuidou da transição Clinton-Bush.

Mais recentemente conheci o The White House 2, que está colhendo adesões à propostas para os primeiros 100 dias de governo Obama, onde o cidadão pode votar as prioridades. Interessante site que mostra em segundo lugar, entre as prioridades que devem ser cuidadas pelo presidente, fazer com que os USA sejam líder em "empregos verdes" e inovação (Make the U.S. a leader in green jobs and innovation). Isso combina muito com o que o Pepe escreveu no post anterior.

Agora, no dia seguinte ao resultado das eleições, a equipe de Obama colocou no ar o seu site de transição The Obama-Biden Transition Project que, além de apresentar a evolução da nova administração, a agenda de prioridades do novo governo, as nomeações e ocupações de cargo, convida a interação do povo americano com duas frases-chaves: "Conte-nos sua história" e "Compartilhe suas Idéias". Ambas propõem ao usuário participar ativamente deste momento histórico.

Sabemos que nada disso surge de repente, do improviso. A campanha de Obama, iniciada há 22 meses tem, no mínimo desde julho último, preparada a estratégia da transição e posse, não por presunção, mas porque um candidato que não se prepara para assumir o cargo, no mínimo seis meses antes, não está preparado nem para ser candidato, como recomenda Clay Johnson. Se o uso de ferramentas Web 2.0 foi importante na campanha, também deve ser utilizado na transição, como recomenda e instrumentaliza o excelente artigo de Mark Dapreau.

E também, é claro, deve ser utilizada na gestão, logo após a posse. Vamos acompanhar.
Se a sequência eleições-transição-gestão do novo governo americano seguir com coerência o uso colaborativo de idéias e conhecimento, talvez tenhamos um inovador modelo de gestão, concentrando e usando conceitos de economia de colaboração, cauda longa, emergência, ferramentas sociais, convergência tecnológica e tudo aquilo de bom que surgiu nos últimos oito anos, mas não tínhamos ninguém para liderar.

Comentários

Prezado Alvaro,
veja como essa noticia de hoje no UOL vem reforçar o uso da Internet visando aproximar Obama da população norte americana.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u466073.shtml
Abração a todos ai e parabèns.
Angelo Ricchetti

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles i niciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia. Isto por que, na maioria dos  5563 municípios  brasileiros, i ndependente de porte ou localização , há um imenso  descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las.  Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno  século XXI,  índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU. Bem, a choradeira para por ai.  O que gostaríamos de falar, daqui para a frente,  para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as  grandes alterações  que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo  novas oportunida

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Terceiro: o Governo como Plataforma

A ideia de Tim O'Reilly ao criar o termo e a abordagem de Governo como Plataforma, foi dar uma perspectiva de valor de patrimônio e de uso aos dados governamentais. Inicia explicando que as plataformas seguem uma lógica de alto investimento, onde praticamente só o Estado é capaz de investir, mas permitem à população, ao utilizarem essa plataforma, gerar riquezas. Temos um claro exemplo ao pensar em uma rodovia como esse investimento. O governo a constrói, mas a entrega aos usuários para trafegarem seus produtos, serviços, passageiros, estimular turismo e economias integradoras etc.. Em outras palavras, uma plataforma rodoviária do governo, mesmo em concessão, será usada pela sociedade, mesmo a custo de pedágios. O mesmo serve para plataformas digitais. O governo americano durante a gestão Reagan, em 1983, tornou disponível ao mundo o Sistema de Posicionamento Global - GPS. A partir do uso mundial dessa plataforma podemos calcular quantos outros produtos e serviços foram gerado

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Segundo: Governo Único para Cidadão Único.

A visão organizacional que o governo tem de si mesmo é a de ser um amontoado de compartimentos organizados por temas, numa estrutura hierárquica funcional que, de pesado equilíbrio, assenta-se de forma estanque e rígida em sólidas bases da lei. Por isso, só executa scripts de competências restritas, estimulando o isolamento – quantos governos dentro de um só – e a decorrente ausência de cooperação, refletindo, na visão do cidadão, um governo fragmentado, com algumas ilhas de excelência e grandes continentes de baixa eficiência. De igual forma, o governo também vê o cidadão de modo fragmentado: às vezes contribuinte, outras motorista, proprietário, aluno, paciente... mas nunca um cidadão único. E essas fragmentações impedem a visão da pluralidade, do todo, de um único harmônico, impedem o entendimento do que representam um e outro. retirado de  Korea IT Times O governo que se apresenta em fragmentos, naturalmente por agir de forma fragmentada, dispersa responsabilid