Pular para o conteúdo principal

Quixote e Inovação



Talvez por coincidência ou propósito que desconheço, boas pessoas inovadoras que conheci na administração pública nesses anos tem, além desta característica da inovação em comum, um outro ponto que os une: admiram Dom Quixote.  

Nada de fanatismos ou auto-comparações com o Cavaleiro da Triste Figura, mas reparo silenciosos sinais de que a obra de Cervantes os inspira e de certa forma os ajuda a persistir, pois sabemos que inovar no setor público é aventura que exige, no mínimo, perseverança e consolo. A criatividade, a loucura, a melancolia, a esperança, a alegria e a realidade presentes em Dom Quixote e Sancho Pança já inspirou outros tantos inovadores, como Pablo Picasso, autor da imagem reproduzida neste post, que enxergaram além da sátira, a nobreza do fidalgo de La Mancha.

Mas faço esta introdução apenas para anunciar duas iniciativas vindas de Espanha e que utilizam a tecnologia de mapas na web: a primeira é Rutas de Don Quijote , onde o governo de Castilla-La Mancha oferece ao usuário um guia online das andanças do cavaleiro e seu escudeiro, em versões desktop, pdf e mobile. Um tipo de lítero-turismo que poderíamos fazer por aqui com as obras de Jorge Amado ou Guimarães Rosa.

Outra aplicação utilizando mapas, é o Innova Barcelona, um completo Mapa da Inovação desse grande centro espanhol que aponta, em escala georeferenciada e com informações preciosas,  as fontes de financiamento e de apoio, centros de pesquisa e casos de sucesso em inovação presentes em Barcelona. 

É um show visual, interativo e de alta qualidade em conteúdo, mostrando uma metrópole preparada, disposta à criatividade e à inovação, com governantes que já entenderam o recado do século XXI. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles i niciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia. Isto por que, na maioria dos  5563 municípios  brasileiros, i ndependente de porte ou localização , há um imenso  descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las.  Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno  século XXI,  índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU. Bem, a choradeira para por ai.  O que gostaríamos de falar, daqui para a frente,  para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as  grandes alterações  que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo  novas oportunida

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Segundo: Governo Único para Cidadão Único.

A visão organizacional que o governo tem de si mesmo é a de ser um amontoado de compartimentos organizados por temas, numa estrutura hierárquica funcional que, de pesado equilíbrio, assenta-se de forma estanque e rígida em sólidas bases da lei. Por isso, só executa scripts de competências restritas, estimulando o isolamento – quantos governos dentro de um só – e a decorrente ausência de cooperação, refletindo, na visão do cidadão, um governo fragmentado, com algumas ilhas de excelência e grandes continentes de baixa eficiência. De igual forma, o governo também vê o cidadão de modo fragmentado: às vezes contribuinte, outras motorista, proprietário, aluno, paciente... mas nunca um cidadão único. E essas fragmentações impedem a visão da pluralidade, do todo, de um único harmônico, impedem o entendimento do que representam um e outro. retirado de  Korea IT Times O governo que se apresenta em fragmentos, naturalmente por agir de forma fragmentada, dispersa responsabilid

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Terceiro: o Governo como Plataforma

A ideia de Tim O'Reilly ao criar o termo e a abordagem de Governo como Plataforma, foi dar uma perspectiva de valor de patrimônio e de uso aos dados governamentais. Inicia explicando que as plataformas seguem uma lógica de alto investimento, onde praticamente só o Estado é capaz de investir, mas permitem à população, ao utilizarem essa plataforma, gerar riquezas. Temos um claro exemplo ao pensar em uma rodovia como esse investimento. O governo a constrói, mas a entrega aos usuários para trafegarem seus produtos, serviços, passageiros, estimular turismo e economias integradoras etc.. Em outras palavras, uma plataforma rodoviária do governo, mesmo em concessão, será usada pela sociedade, mesmo a custo de pedágios. O mesmo serve para plataformas digitais. O governo americano durante a gestão Reagan, em 1983, tornou disponível ao mundo o Sistema de Posicionamento Global - GPS. A partir do uso mundial dessa plataforma podemos calcular quantos outros produtos e serviços foram gerado