Pular para o conteúdo principal

Mashups e Cidadania

defendi várias vezes a criação de mashups associando mapas do Google (ou do Yahoo) com as aplicações e bases de dados de governo, comentando as bem sucedidas práticas de New York, Chicago e até mesmo da Prefeitura de São Paulo, todas seguindo a tendência de web 2.0 em compartilhamento de sistemas e conteúdos.

Agora a Procuradoria da República em Pernambuco, com a especialíssima mão-de-obra do C.E.S.A.R. - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, lançam o Citix, um projeto que reúne o mapeamento online (by Google/Maplink) com o conteúdo gerado pelos cidadãos.

E é aqui que está a grande inovação, acompanhando a natureza autoral colaborativa da web 2.0 em que o usuário colabora com o conteúdo, o site incorpora denúncias, descobertas e opiniões da população em relação ao espaço público em que convive, sem a intervenção das "informações oficiais" que, sabemos, é por vezes maquiada.

Por meio do site, o cidadão recifense inclui no mapa da cidade as informações sobre segurança e prevenção de crimes, locais de prestação de serviços públicos, de entretenimento e problemas com infra-estrutura, como orelhão quebrado, buracos na rua, lixo acumulado e coisas assim.
Tudo de autoria do cidadão.

Na categoria sites, já tenho um candidato ao mais inovador serviço público em 2008. Conheça o projeto clicando aqui.

Em tempo: já havia fechado este post quando o Angelo Ricchetti me passou a notícia do Ciência Hoje sobre o Wikicrimes, algo semelhante ao projeto de Recife, desta vez feito para Fortaleza. Valeu Ricchetti.

Comentários

Anônimo disse…
Caros integrantes do IGovBrasil,

Abaixo, informação adicional sobre a iniciativa conjunta do Ministério Público Federal - Procuradoria da Republica em Pernambuco - e C.E.S.A.R., na área de prevenção de crimes e cidades seguras/saudáveis.

O projeto foi desenvolvido na base do voluntariado da equipe do CESAR e está em fase beta.

A idéia é criar uma ferramenta descentralizada, com a participação das mais diversas instituições, públicas ou privadas, comunidades, redes e grupos, de acesso irrestrito a qualquer cidadão.

Estamos preparando o terreno para expandi-la para todo o país.

Marcos Antônio da Silva Costa
Procurador da República

==================================
Citix: rede social para o espaço urbano

1º Ofício da Tutela Coletiva
Texto: MPF/CESAR

C.E.S.A.R e Ministério Público Federal juntam forças para construir uma cidade equilibrada, nos mundos real e virtual

Utilidade pública, prevenção do crime, cultura, serviços. Citix é o espaço público pela ótica dos habitantes. Em www.citix.net todos podem entender o que está acontecendo em sua cidade e ao mesmo tempo contribuir acrescentando mais informações. Tudo isso de forma simples e direta: basta marcar um ponto no mapa, contar sua história e ajudar a construir um cenário real sobre a cidade em que vive. O sistema foi criado pelo C.E.S.A.R - Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, contando com apoio decisivo do Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco.

Citix é inovação totalmente baseada em conceitos Web 2.0. Um mashup (aplicações web que usam conteúdo de mais de uma fonte para criar um novo serviço completo) entre ferramentas de georeferenciamento e redes sociais, oferecendo arquitetura de participação para a coletividade na geração do conteúdo, na própria execução do projeto e para o ambiente de negócios. O objetivo é trocar informações por meio de uma grande teia envolvendo eventos simultâneos de uma cidade, que vão desde acontecimentos culturais até o registro de ocorrências policiais, incorporando-se ao movimento internacional de prevenção de crimes (crime prevention).

Segundo o gerente de negócios do C.E.S.A.R, André Araújo, a parceria com o MPF, a partir de junho de 2007, foi o grande incentivo para desenvolver o software a serviço da comunidade, algo relevante para a sociedade. "O Ministério Público Federal nos trouxe o desafio, deu suporte, referências e idéias e, através do Garage, projeto de intra-empreendedorismo do C.E.S.A.R, esperamos dar uma contribuição efetiva à sociedade com o que sabemos fazer melhor: inovação", afirma.

Para o procurador da República Marcos Antônio da Silva Costa, uma cidade equilibrada e harmônica, com taxas de criminalidade sob controle, é tarefa que requer a convergência, ao longo de uma geração, de esforços cooperativos de todos os segmentos da sociedade. "O Citix, fruto de uma feliz convergência do C.E.S.A.R e do MPF, objetiva contribuir para o esforço de prevenção de crimes no Brasil. Descentralizado e marcado pela cooperação interinstitucional, o Citix casa os conceitos de tecnologia, rede sociais, prevenção de crimes e 'cidades seguras/saudáveis', com uma especial ênfase na socialização da informação, seguindo as recomendações das Nações Unidas e do movimento internacional de prevenção de crimes em vários países", explica.

Costa ainda acrescenta que nessa iniciativa colaborativa cria-se o ambiente para que a informação sobre os fatores positivos e negativos da cidade possa gerar crítica, reflexão e ação dos mais diversos atores, públicos ou privados.

www.citix.net
www.cesar.org.br
www.prpe.mpf.gov.br
Alvaro Gregorio disse…
Caro Marcos Antonio,

Obrigado pela gentileza em complemento as nossas informações. Voltaremos a falar sobre essa iniciativa e peço que, havendo a possibilidade de expansão do projeto para o Estado de São Paulo, comunique-se comigo pelo e-mail alvaro@igovbrasil.com .
Abraços,
Alvaro Gregorio
Anônimo disse…
Caro Álvaro Gregório,

Como mencionado, a idéia do projeto Citix é expandi-lo para todo o país e, quiça, para outros países.

É uma iniciativa por natureza descentralizada, onde cada participante, instituição ou pessoa, administra suas informações, segundo seus interesses específicos, sem um filtro central, de tal forma que a "cidade" seja revelada em toda a sua complexidade. Informação gerando crítica, reflexão e ação.

Há uma preocupação igualmente de gerar uma iniciativa que possa agregar e ser agregada por outras iniciativas em redes sociais.

A fase beta está concentrada no Recife. Registre-se que a primeira fase do projeto foi marcada pelo desenvolvimento na base do voluntariado da equipe do C.E.S.A.R., capitaneada por Silvio Meira, com a mobilizou de toda a competência essencial daquele centro para oferecer à "cidade/comunidade" uma contribuição tecnológica na área de prevenção de crimes e de "cidades seguras/saudáveis". Estamos trabalhando para que, na segunda fase, neste início de ano, a equipe possa receber apoios materiais para se dedicar integralmente ao projeto. Há desafios tecnológicos muitos interessantes no caminho.

O MPF e C.E.S.A.R. terão reunião nos próximos dias, para balizar essa segunda fase e a forma como outras instituições, públicas e privadas, poderão participar da iniciativa.

O IGovBrasil, desde logo, está convidado a fazer parte dessa experiência.

Sugiro, por fim, que o IGovBrasil inaugure uma área temática para as iniciativas de IGOV em "prevenção de crimes" (crime prevention).

Sds,

Marcos Antônio da Silva Costa
Procurador da República

PS: enviarei esta postagem por e-mail.
Alvaro Gregorio disse…
Caro Marcos Antônio,

Honrados com o convite, aguardaremos seu e-mail para também abordar mais proximamente nossos passos.
Sugestão aceita para mais um marcador em nosso blog: "Prevenção de Crimes".
Obrigado,

Alvaro Gregorio

Postagens mais visitadas deste blog

10 Dicas para Prefeitos Inovadores

Em poucos dias, prefeitas e prefeitos eleitos em outubro passado estarão assumindo seus mandatos. A princípio, sejam eles i niciantes ou reconduzidos, o cenário que os aguarda está mais para drama do que para comédia. Isto por que, na maioria dos  5563 municípios  brasileiros, i ndependente de porte ou localização , há um imenso  descompasso entre as legítimas demandas da sociedade e a capacidade do poder público em atendê-las.  Dificuldades de gerenciamento, aliadas a um processo civilizatório excludente, resultaram  em  uma triste realidade na qual poucos municípios brasileiros possuem, em pleno  século XXI,  índices de desenvolvimento humano - IDH considerados satisfatórios pela Organização das Nações Unidas - ONU. Bem, a choradeira para por ai.  O que gostaríamos de falar, daqui para a frente,  para prefeitas e prefeitos bem intencionados e que queiram, de fato, mudar o filme, é que as  grandes alterações  que estão ocorrendo no mundo, estão abrindo  novas oportunida

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Terceiro: o Governo como Plataforma

A ideia de Tim O'Reilly ao criar o termo e a abordagem de Governo como Plataforma, foi dar uma perspectiva de valor de patrimônio e de uso aos dados governamentais. Inicia explicando que as plataformas seguem uma lógica de alto investimento, onde praticamente só o Estado é capaz de investir, mas permitem à população, ao utilizarem essa plataforma, gerar riquezas. Temos um claro exemplo ao pensar em uma rodovia como esse investimento. O governo a constrói, mas a entrega aos usuários para trafegarem seus produtos, serviços, passageiros, estimular turismo e economias integradoras etc.. Em outras palavras, uma plataforma rodoviária do governo, mesmo em concessão, será usada pela sociedade, mesmo a custo de pedágios. O mesmo serve para plataformas digitais. O governo americano durante a gestão Reagan, em 1983, tornou disponível ao mundo o Sistema de Posicionamento Global - GPS. A partir do uso mundial dessa plataforma podemos calcular quantos outros produtos e serviços foram gerado

Cinco Princípios para Novos Serviços Públicos. Segundo: Governo Único para Cidadão Único.

A visão organizacional que o governo tem de si mesmo é a de ser um amontoado de compartimentos organizados por temas, numa estrutura hierárquica funcional que, de pesado equilíbrio, assenta-se de forma estanque e rígida em sólidas bases da lei. Por isso, só executa scripts de competências restritas, estimulando o isolamento – quantos governos dentro de um só – e a decorrente ausência de cooperação, refletindo, na visão do cidadão, um governo fragmentado, com algumas ilhas de excelência e grandes continentes de baixa eficiência. De igual forma, o governo também vê o cidadão de modo fragmentado: às vezes contribuinte, outras motorista, proprietário, aluno, paciente... mas nunca um cidadão único. E essas fragmentações impedem a visão da pluralidade, do todo, de um único harmônico, impedem o entendimento do que representam um e outro. retirado de  Korea IT Times O governo que se apresenta em fragmentos, naturalmente por agir de forma fragmentada, dispersa responsabilid