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Serviços eletrônicos e suporte presencial em SP

A Fundação do Desenvolvimento Administrativo - FUNDAP e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento - CEBRAP, desenvolveram em conjunto uma pesquisa para o seu boletim Políticas Públicas em Foco, a fim de identificar o uso e relacionamento do cidadão paulistano com os serviços públicos eletrônicos, incluindo hábitos, conhecimento, motivos e eventuais rejeições existentes quanto a utilização desses serviços.

Algumas conclusões aproximam-se da pesquisa feita pela Maria Alexandra Cunha (PUC-PR), divulgada aqui anteriormente, sobre o Perfil do e-cidadão, como por exemplo a preferência do cidadão para o atendimento presencial, entretanto, diferentemente da pesquisa paranaense que tinha abordagem nacional, porém com a maioria dos pesquisados ligados ao serviço público, a pesquisa CEBRAP-FUNDAP utiliza uma amostra variada de perfis, com foco na cidade de São Paulo, a mais conectada do país, com público-alvo escolhido "segundo critérios socioeconômicos, de forma a refletir a população do município como um todo."

Duas conclusões da pesquisa interpreto-as como novidades. A primeira, diz que "Paulistanos utilizam a internet mais para os serviços de governo do que para banco e comércio eletrônico", surpreendente, porém aceitável ao verificarmos que os maiores usos dos serviços específicos concentram-se em obtenção de documentos, pagamento de taxas/impostos e encaminhamento de processos, como ilustra o gráfico a seguir, retirado da pesquisa.

Outra conclusão refere-se aos programas e serviços mais conhecidos pelo paulistano, que reconhece em primeiro lugar o e-poupatempo (salas de atendimento presencial de inclusão digital para serviços públicos, instaladas nos postos Poupatempo), em segundo o e-detran (serviço online específico), em terceiro o Acessa São Paulo (uma espécie de lanhouse pública, portanto presencial) e na quarta posição o Cidadão.SP (portal online de todos os serviços prestados pelo Estado de São Paulo). Note que ficaram intercalados serviços com apoio presencial com aqueles completamente online, o que pode indicar um caminho para serviços eletrônicos assistidos ou com melhor usabilidade.

Estranho que o cidadão da capital não tenha a referência do site da prefeitura, nem mesmo desperte interesse em transações interativas de participação popular, como por exemplo, participar do Plano Diretor da Cidade ou acompanhar onde é investido o dinheiro de seus impostos. Há muito ainda o que crescer, tanto em novos serviços, como na nova cidadania.

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