INOVAÇÃO CONTINUADA

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Fonte da Ilustração: http://www.business-strategy-innovation.com/

Se há um assunto que está na ordem do dia no campo da gestão, este tema é a inovação. No exterior e aqui dentro; nas indústrias, nos escritórios e na academia não há matéria mais estudada e comentada.

E como sempre ocorre nestes momentos, surge a pergunta: será apenas mais um daqueles modismos da administração que, em breve, como tantos outros, cairá no ostracismo?

Neste caso, estou convencido que não e explico.

Se olharmos com atenção a cronologia das grandes invenções, aquelas que mudaram a vida da humanidade, veremos que elas foram se tornando mais freqüentes com o passar dos séculos. Mais que isto, perceberemos também que o ritmo do surgimento de invenções tem se dado a taxas crescentes ao longo dos anos mais recentes.

Vivemos, por assim dizer, tempos de inovação continuada. E nada faz crer que isto venha a mudar em um futuro previsível. Muito ao contrário, há tantas tecnologias novas, a preços cada vez mais competitivos, que a capacidade inventiva de países, organizações e pessoas estará municiada como nunca.

Este inédito conjunto de oportunidades não será, no entanto, neutro. Sempre haverá ganhadores e perdedores nesta incessante luta por fatias de mercado, principalmente nos segmentos de produtos e serviços mais sofisticados, sinônimos de riqueza.

Esta batalha não é para amadores, ela envolverá a contínua recalibragem das economias nacionais para a produção de conhecimento e conseqüente geração de novos processos, produtos e serviços.

Para quem quiser sentir como esta questão já ocupa a agenda estratégica de diversos países tradicionalmente inovadores ou pretendentes a tal, recomendo a leitura de um alentado estudo, cuja nona edição acaba de ser divulgada pela European Commission Enterprise and Industry, denominado “European Innovation Scoreboard 2009 – Comparative Analysis of Innovation Performance”, disponível para download gratuito.

Este relatório detalha tendências e indicadores referentes aos esforços de inovação em 27 nações européias. Estados Unidos e Japão, pela liderança, e os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), pela emergência, são também referenciados neste trabalho. A leitura do documento certamente deixará no leitor, a sensação de que os bons tempos de poucos riscos e lideranças bem consolidadas estão, rapidamente, ficando para trás.

Como tira-gosto, aponto três conclusões que me chamaram a atenção no documento:

1. No bloco dos 27 países europeus esboça-se uma tendência à convergência. Isto é, as nações situadas no segmento inferior em um ranking de inovação montado com base em um índice síntese (SII) que envolve a ponderação de 29 indicadores, tiveram, em média, melhor desempenho que as nações do segmento superior.

2. Em relação às nações líderes, Japão e Estados Unidos o gap continua expressivo sem tendência de diminuição a curto prazo. Os indicadores que mais influenciaram para a permanência deste quadro foram: número de patentes internacionais, gastos das empresas com pesquisa e desenvolvimento e número de pesquisadores.

3. Já, frente aos BRICs, o índice aponta forte e estabilizada liderança européia, quando se considera apenas Brasil, Índia e Rússia. Analisando-se isoladamente a China, no entanto, a situação é bem outra, uma vez que, mantendo-se as tendências atuais, este país atingirá os padrões europeus em dez anos.

Voltaremos ao assunto em breve.

Quando comentei anteriormente sobre os PIIGS , defendi ao final do post que a Irlanda iria achar seu caminho para sair da crise, baseado no depoimento e pesquisa in loco feita pelo Pepe, há exatos dois anos, neste blog. Temos por vocação aqui no GATI autonomear-nos em várias coisas, assim, quando falamos em embaixadores da inovação, cuido de Portugal e Espanha, o Sérgio Bolliger representa Alemanha e Grécia, enquanto que o Pepe é o diplomata da Irlanda e dos EUA.


Somos seres pensantes. Há poucos dias Venessa Miemis, jovem estudante de graduação e assistente de ensino da The New School de Nova Iorque, nos relembrou a importância deste fato, em post que resume a palestra que realizará em abril na Social Business Edge Conference.


Venessa introduz o assunto, dizendo que poucos anos nos afastam do homem da era industrial que trabalhava como uma peça, parte de uma grande máquina. Não era preciso pensar, apenas reproduzir movimentos mecânicos e seu trabalho já teria valor. E completa o raciocínio: “O problema é que os seres humanos não foram projetados para mecanização. Fomos criados para criar”.


Em outro post, no seu blog, Venessa afirma que o mundo em que vivemos está em disrupção e cita David Geletner em "É hora de começarmos a pensar a internet seriamente".


É exatamente essa idéia que o Governo da Irlanda propõe em sua mais nova campanha “Your country. Your call” em que os cidadãos são convocados a pensar pelo país, enviando projetos inovadores que visem o bem comum. Os responsáveis pelas duas melhores propostas receberão um prêmio de 100 mil euros, além de um fundo de desenvolvimento que pode chegar a 500 mil euros por projeto.


Mais arrojado que o brainstorm nacional feito pelos EUA no ano passado, os irlandeses inovaram na proposta e na campanha, que está sendo veiculada em redes sociais, além das mídias convencionais. Assista ao vídeo da campanha que circula na TV e no Youtube:







O site acolherá propostas até o dia 30 de abril e para conhecer algumas das mais de duas mil idéias que foram enviadas, clique aqui para vê-las na belíssima interface preparada pela organização do Momento Irlandês, ou conheça de modo mais formal neste link.


A campanha irlandesa tomou outro cuidado fundamental: explicou didaticamente como os cidadãos devem fazer para enviar suas propostas, em apenas cinco minutos de vídeo. Com voz calma e de forma paciente, o narrador conduz o internauta e o ensina a questionar pontos principais que resumam sua proposta de forma eficiente. Ao final, um pequeno resumo do que foi falado é feito e a informação é passada com sucesso, até mesmo para aqueles que ignoram o idioma ou os artifícios da web.







É por si só, um modelo a copiar.


Sem dúvida as redes sociais vieram ao encontro da necessidade de nos tornarmos seres ativamente criadores e pensantes, trazendo uma mudança de valores em que o sigilo e a privacidade estão sendo gradativamente substituídos por uma maior abertura e transparência. Isso poderá nos levar a uma forma mais justa, participativa e humana de nos relacionarmos, como citou Venessa em seu artigo.


Na próxima quarta-feira, dia 17 de março, comemoramos o Dia de São Patrício. Com o Your Country, Your Call, todo irlandês, em toda a parte do mundo, tem mais um motivo para comemorar o orgulho pelo seu país.

E se o caro leitor tem uma boa idéia para a gestão pública, não deixe de registrá-la em http://inovagoverno.tk/, onde você também pode conhecer e votar nas idéias dos outros.
Você sabe quantos brasileiros já nasceram hoje? E quantas sessões de cinema foram exibidas em 1980? Sabe qual a despesa pública que temos com educação atualmente?


As questões aparentemente irrelevantes em nosso corrido cotidiano, reforçam a relação de confiança dada através da transparência entre Estado e cidadão. A população se sente parte de uma construção conjunta e passa a refletir sobre números até então ignorados, tornando-se politicamente participativa dentro da sociedade. As vantagens dessa inovadora forma de relação é prática em alguns países e começa agora a ser experimentada em Portugal.


No site da Pordata a população consegue acessar o banco de dados estatístico português, disposto de maneira simples em uma interface amigável. São 12 categorias diferentes, incluindo Cultura, Proteção Social, Despesas Familiares e Contas do Estado.


O projeto é apoiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e será dividido em três fases. A inicial disponibiliza dados para Portugal. A segunda disponibilizará dados para toda a União Européia e, por fim, as informações sobre as regiões e os municípios portugueses serão detalhados. Todas as informações seguem por base a ordem cronológica dos dados estatísticos, chegando a datar o ano de 1960 e registrando sua evolução até os dias atuais.


No entanto, o portal vai além de um belo acervo virtual de dados estatísticos e permite com que o internauta interaja, escolhendo quadros e gráficos de seu interesse, cruzando variáveis, calculando taxas de variação e porcentagens e exportando o resultado para o formato escolhido (pdf., xls., doc. ou jpeg.).


A preocupação com a arquitetura de informação garante que o conteúdo desejado seja disponibilizado em poucos cliques, satisfazendo os objetivos do usuário sem que ele precise ser um avançado entendedor de tabelas ou gráficos.


No Governo de São Paulo, um portal semelhante sobre as estatísticas e outros dados do Estado é o da Fundação SEADE, que há muito tempo dispõe desse serviço ao cidadão. Um rico acervo paulista de consulta franqueada e utilíssima a pesquisadores e a sociedade em geral, mas ainda lhe falta em interatividade e liberdade para as bases.


Fico com a sensação de que é preciso fazer mais com essa complexidade informacional, é preciso entregar as bases para a sociedade, como vimos defendendo neste espaço quando falamos em governo aberto ou quando vemos as ações de Civic Hacking ganhando os jornais. É preciso também criar e aproveitar novas formas de demonstrar esses dados, como aquelas que o Many Eyes ou o Google Public Data Explorer nos habilita a montar com simplicidade.


Com dados públicos e ferramentas de inteligência social, será mais fácil saber onde estamos e pra onde podemos ir.