Em discurso no último dia 24, o Papa Bento XVI fez um pedido incomum aos padres católicos: “Por Deus, tenham um blog!”. O apelo, noticiado pela Reuters, está alinhado à proposta que será apresentada no próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, que acontecerá em 16 de maio e terá como tema "O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra".


Bento XVI pretende fazer com que a Igreja Católica aproveite os novos meios de comunicação disponíveis para falar com os jovens e evangelizar. “Os padres são assim desafiados a proclamar o evangelho empregando as últimas gerações de recursos audiovisuais - imagens, vídeos, atributos animados, blogs, sites - que juntamente com os meios tradicionais podem abrir novas visões para o diálogo, evangelização e catequização", disse o Papa durante o discurso.


Esse acolhimento das ferramentas sociais pela igreja, que comentamos aqui há um ano, revela uma estratégia moderna e dinâmica, apesar do Papa ser conhecido por sua falta de afinidade com a web e que escreve boa parte de seus discursos à mão, repassando-os aos seus ajudantes digitalizá-los.


No novo site do Vaticano é possível ter acesso aos sermões do Papa através de seu canal no Youtube, sua página no Facebook ou ainda baixar discursos e mensagens do Sumo Pontífice diretamente para o iPhone ou iPod.


Na Itália, padres respondem às questões dos internautas no site Dióceses. Apesar da conversa direta com os sacerdotes, o portal adverte que eles não receberão confissões por e-mail, limitando-se apenas a responder dúvidas.


Nos Estados Unidos, os fiéis da Igreja Católica podem receber via SMS mensagens com pequena biografia do Santo do dia, orações e resumos das missas, através do serviço Catholic Mobile.


Semelhante ao serviço católico, a Igreja Protestante Harvest Christian Fellowship, envia por SMS a milhares de assinantes, trechos dos sermões realizados pelo pastor americano Greg Laurie. No Portal Protestante, os blogs dos pastores ganham destaques e promovem debates até mesmo sobre tecnologia, como o artigo em que Greg Laurie questiona “O tablet de Jesus?”, referindo-se ao novo lançamento iPad, da Apple. Laurie completa: “Vamos amar ao Senhor e usar a tecnologia, não amar a tecnologia e usar a palavra do Senhor”.


O site do padre brasileiro Marcelo Rossi, oferece ao internauta a possibilidade de fazer pedidos de orações, rosários e velas virtuais, além de escutar ao programa “Momento de Fé” na rádio online.


Apesar do pedido papal pelo maior envolvimento da Igreja com a web, Bento XVI alertou para que os representantes do Catolicismo não tornem os novos meios de comunicação uma forma de promoção pessoal. "Os padres no mundo das comunicações digitais devem ser mais chamativos pelos seus corações religiosos do que por seus talentos comunicativos".


A inclusão digital agora é declaradamente um interesse religioso e tem grandes chances de entrar no conjunto de ações solidárias que a Igreja Católica promove em comunidades carentes.


Há filme explicativo produzido pela Santa Sé, mas não permite incorporação (?!). Então para acessá-lo clique aqui .


POST post: o Sérgio Bolliger me passou a seguinte frase do Rubem Alves: Os católicos [...] têm uma interminável burocracia intermediária, que vai amenizando as coisas, e Deus nem fica sabendo.


Em 5 de julho próximo será o início oficial da campanha eleitoral de 2010 e começa a valer o estabelecido na Lei 12.034/2009 e as orientações presentes na Resolução 23.193 do TSE, incluindo as restrições para o uso da internet.

Depois da força virtual e vital da
campanha que elegeu Barack Obama
, as ações eleitorais feitas através da internet, principalmente em redes sociais, ganharam maior importância dentro das discussões políticas e prometem ser uma das principais estratégias para conquistar o eleitor brasileiro. Há de se observar qual será o comportamento desse eleitor diante de uma das novidades apresentada pela nova legislação, que é a possibilidade das doações online, apresentada no parágrafo segundo do artigo 23 da Lei, que estabelece
Toda doação a candidato específico ou a partido deverá ser feita mediante recibo, em formulário impresso ou em formulário eletrônico, no caso de doação via internet, em que constem os dados do modelo constante do Anexo, dispensada a assinatura do doador.
Quem leu sobre a campanha de Obama na internet sabe que as doações online atingiram os 500 milhões de dólares, segundo registra David Talbot, doados por cerca de três milhões de americanos.

Os candidatos brasileiros foram favorecidos pela nova regra geral, que diferenciou a tv e o rádio, da internet, alegando que essa seria de território livre, diferente das demais, que seriam concessões públicas.


Apesar da aparente liberdade, as campanhas virtuais devem se limitar ao site do próprio candidato (ponto can), redes sociais e debates virtuais, não sendo obrigatória a presença de representantes de todos os partidos envolvidos. Fica proibida qualquer postagem anônima, para garantir um eventual direito à resposta.


A propaganda virtual gratuita será permitida até 48h antes da votação, porém fica proibida sua veiculação, mesmo que gratuita, em sites de pessoas jurídicas e oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

As proibições limitam a campanha, porém não impedem que os candidatos mantenham-se em sites e redes de relacionamento durante todo o ano.


Como é o caso do governador José Serra, potencial candidato do PSDB à presidência, mantém seu perfil no Twitter
, onde possui mais de 150 mil seguidores. Outro exemplo é a ministra Dilma Roussef, que reuniu mais de 9 mil pessoas em comunidade no Orkut. Já o deputado Ciro Gomes vai além: construiu sua própria rede social, o Movimento Ciro Gomes, onde deixa disponível os links de acesso ao seu perfil nas demais redes como Orkut, Twitter, Linkedin, Facebook, Flickr, Youtube e MySpace, ao estilo do MyBO, o hub de Obama.

Mas ainda há uma grande diferença entre o uso da internet como estratégia eleitoral para os candidatos brasileiros e a estratégia bem sucedida de Obama: o presidente norte-americano defendia propostas inovadoras e essas, casavam perfeitamente com o meio eletrônico como forma de comunicação direta com seus eleitores. Ou seja, não basta que se use de meios inovadores se as propostas apresentadas não o acompanham.


Outras diferenças na estrutura das campanhas e do público, puderam ser observadas em palestra dada pelos estrategistas de Obama, durante o 1º Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing da George Washington University
. Nesse vídeo, Ben Self explica que o objetivo americano não era apenas conseguir votos pela web, mas recrutar voluntários para trabalharem pela campanha, mostrando que a política é vista com paixão e como expressão do patriotismo.


Em outro momento, Jason Ralston, responsável pela criação publicitária da campanha de Obama, diz que acredita que o Brasil sentirá pela primeira vez a importância da internet em uma campanha política, apesar das limitações como a falta de acesso de parte da população.



Não há dúvidas de que a campanha de 2010 será aquela que consagrará a internet como mídia política. Fico curioso ao pensar nas reações dos candidatos frente a um meio interativo, de troca e de ação em tempo real. Penso com otimismo o nascimento de uma nova geração de candidatos e eleitores.

“Qual o erro mais perigoso atualmente no campo da inovação?”. A resposta foi elaborada por Hutch Carpenter, a convite do blog Business Strategy Innovation, que dividiu o tema “Perspectivas da Inovação” em questões cruciais a serem respondidas por especialistas da área.


Carpenter responde apontando para um dado curioso: 58% das empresas inglesas e norte-americanas não acreditam no poder das pequenas inovações, buscando apenas as grandes idéias. Isso faz com que a força de milhares de pequenas idéias sejam ignoradas, desperdiçando oportunidades de crescimento.


Outra barreira que impede o crescimento é justamente o medo de errar. Como na inovação não há garantias de que se obtenha o sucesso esperado, a prevenção de possíveis falhas faz com que novos projetos não sejam colocados em prática.


Paradoxalmente, isso geralmente acontece quando as mudanças são bruscas. Ou seja, quando a grande idéia aparece, o trabalho que há em convencer a diretoria que vale a pena arriscar-se, é proporcional ao tamanho da inovação.


As pequenas mudanças, por outro lado, possuem uma melhor aceitação. Sem poder abandonar as atividades rotineiras, uma grande mudança é facilmente descartada; enquanto as pequenas adaptações são vistas a bons olhos por não interferirem diretamente na rotina corporativa.


Carpenter conclui que uma das diferenças entre as inovações revolucionárias e as radicais está no índice de riscos aos empreendimentos. Enquanto a primeira pode ser simples, mas provocar um enorme progresso, a segunda exige esforços maiores e, conseqüentemente, riscos maiores.


Em Portugal, o consultor Rui Miguel Tavares, resumiu em um pequeno artigo o que considera os três principais erros durante o processo de inovação, com foco no produto e no usuário. São eles: inovar em áreas já satisfeitas; inovar para satisfazer necessidades pouco importantes e inovar às custas de funcionalidades já satisfeitas.


Tavares considera a inovação fruto da necessidade de algo até então inexistente e por esse motivo, acredita que é um erro aperfeiçoar um produto sem pensar na necessidade do consumidor. O exemplo que cita é a melhora do tempo no processo de impressão: as impressoras mais novas prometem uma impressão mais rápida, porém, muitas vezes isso é irrelevante para o consumidor, que acaba optando pelo menor preço.


Como inovação pouco importante, cita a falta de atenção dada às prioridades do consumidor na criação de um novo produto. Ou seja, pode vir a ser um produto satisfatório a princípio, porém os detalhes que deixaram a desejar tornam-se a força do concorrente.


Por fim, o último erro apontado é pensar na inovação sem pensar nas implicações decorrentes. Como, por exemplo, quando um cliente afirma que gostaria de um celular menor, possivelmente não pensará se isso o impossibilitará de enxergar bem os números, pois essa necessidade já foi atendida no celular que ele possui.


Tenho lido, com certo constrangimento, propostas de alguns “consultores para projetos de inovação”, fazendo parecer que inovação seja um produto de prateleira ou um processo de semi-acabados, em que bastam customizações e lá estará um programa de inovação implantado. Ainda há aqueles com complicadas metodologias que interpretam a criatividade como fator mecânico ou sistêmico, longe de humano, mas perto do controlável.


Aqui está um grande risco de erro que existe nos projetos iniciais de implementação estratégica de inovação, mas que nem Carpenter, nem Tavares, apontaram: a escolha da consultoria.

Os blogueiros de Cuba

2 comentários
O movimento de jornalistas independentes, iniciado em Cuba nos anos 90 e destroçado pelo governo daquele país na Primavera Negra de 2003, deixou um legado de atores intelectuais que coloca o regime castrista em desconcertada situação : os blogueiros.


Essa retomada jornalística de opinião - creio que já não temos mais que discutir diferenças entre jornalistas e blogueiros - começa em 2008 quando o presidente cubano Raúl Castro autorizou a venda de computadores para a população, liberando também que cubanos pudessem entrar em hotéis reservados a turistas.

A medida possibilitou que os blogueiros de Cuba pudessem compor seus textos em equipamentos pessoais, apesar das diversas restrições de acesso a internet, que ainda hoje, é limitado a residentes estrangeiros, funcionários de alto escalão, hotéis e cibercafés autorizados pelo governo. Para ter uma idéia, uma hora de conexão nos cibercafés custa perto de cinco dólares, ou seja, um terço da média salarial cubana.

Diante disso, os blogueiros começam a driblar o acesso vetado, postando heroicamente em seus blogs e mostrando a Cuba não-oficial para o mundo. Destaco três blogs apresentados na reportagem do El País:
  • El Octavo Cerco, escrito por Claudia Cardelo, uma jovem de 26 anos que, para postar, envia os textos em meio digital offline a amigos que estão fora do país;
  • Cruzar Las Alambradas, de Luis Felipe Rojas que, por telefone, lê seus textos a amigos na Espanha e EUA, que gravam e postam na rede. Rojas foi detido pela polícia local em 25 de dezembro último, mas já está "livre" novamente; e
  • Geração Y, de Yoani Sánchez, uma mulher de 34 anos que representa a alma máter do movimento blogueiro cubano, que narra em seu blog uma visão pessoal e realista sobre os nascidos em Cuba nos anos 70 e 80. Yoani foi, juntamente com seu marido, presa e espancada por agentes à paisana em novembro.
Nas palavras de Maite Rico, no El País, os blogueiros cubanos representam "o contraponto exato do padrão almejado pelo regime comunista: são espontâneos, sinceros e antidogmáticos. Esbanjam humor e ironia. Não tem medo.".

Esta é a resposta ao que perguntei em agosto de 2008, ao postar aqui sobre o blog do Fidel.