Nesta época, relações de melhores do ano estão por todos os cantos. Dos filmes mais assistidos às grandes mancadas, nada escapa à febre das listagens. Pois bem, tomado por este espírito classificatório, resolvi, na minha derradeira postagem do ano, embarcar nesta canoa e escolher a melhor aplicação web 2.0 em governo de 2009.



Para efetuar a minha escolha, levei em consideração os seguintes aspectos: criatividade, interesse público, transparência, uso de inteligência coletiva, penetração popular e economia de recursos.


Será que existe uma única aplicação de ferramentas sociais que contemple todos esses quesitos? No meu entendimento existe, e, por isto mesmo, merece esta honraria.



Fazendo um pouco de suspense, antes de apontar a vencedora, eu gostaria, de contar a história de como surgiu esta aplicação.



O governo americano, através de sua Secretaria de Saúde, pasta que equivale ao Ministério da Saúde no Brasil, observou que as campanhas tradicionais para divulgação dos riscos e dos cuidados associados à gripe H1N1, não despertavam maior interesse nos grupos que mais precisavam ser sensibilizados.



Buscando reverter esta situação, a Secretaria de Saúde resolveu dar a esta questão um tratamento nada convencional. Promoveu um concurso na modalidade, PSA, Public Service Announcement, pedindo à população que postasse, no YouTube, um vídeo falando livremente sobre os cuidados em relação a gripe H1N1.



Após analisar os 250 vídeos encaminhados, especialistas nesta matéria escolheram 10 finalistas que foram, após isto, submetidos à votação popular, com vistas à seleção do trabalho vencedor.



Concluída a apuração de mais de 50 mil votos, o ganhador foi o vídeo “Rap da Gripe” (tradução livre minha), criado pelo Dr. John Clarke, diretor médico do Long Island Rail Road, que o leitor do iGov Brasil poderá assistir ao cabo desta postagem.


Desfeito o suspense, vamos ver, agora, critério a critério, por que esta iniciativa, levada avante pela Secretaria da Saúde norte-americana, ganhou o “cobiçado” título de melhor aplicação Web 2.0 em governo do ano.



1. Criatividade.

Desnecessário falar muito sobre este quesito. O processo descrito acima mostra como a criatividade esteve presente em cada momento deste desafio.



2. Interesse público.

Sensibilizar a população sobre a gravidade e os cuidados a serem dispensados para uma doença global que tem provocado confusão, internações e até mesmo mortes, mundo afora, confere claro interesse público a esta ação.



3. Transparência

Desde o tratamento inicial do tema, até a definição do vencedor, o governo americano deu, neste caso, um banho de transparência sobre a forma de tratar um assunto de alta relevância e interesse popular, como o aqui abordado.



4. Uso de inteligência coletiva

Outro marco desta campanha. Ao invés de decidir como sensibilizar a população, a Secretaria de Saúde observou que a própria cidadania poderia fazê-lo, da produção do vídeo à escolha do vencedor.



5. Penetração popular

O concurso atraiu a atenção dos maiores meios de comunicação norte-americanos. As grandes emissoras de TV, por exemplo, batalharam fortemente pela primazia de colocar o vídeo vencedor em rede nacional no horário nobre. A audiência maciça do trabalho no YouTube, até agora, reafirma o apelo popular da medida.



6. Economia de recursos

Por fim, quanto o Governo Americano gastou nesta empreitada? Meros dois mil e quinhentos dólares, pagos ao Dr. John Clarke.



E agora, caiamos no rap.



Por fim, nesta última postagem do ano, meus votos de um super 2010 a todos os leitores do IgovBrasil. Até mais.




Assim como no Brasil, o governo português desenvolveu seu Portal para Servidores Públicos, numa preocupação presente há tempos em arquitetura de e-gov, qual seja cobrir os principais perfis de relacionamento com governo: cidadão, empresas e funcionários/servidores .
Aqui, muitos Estados já possuem seu portal regional. Mas a diferença com o novo modelo de Portugal está em como utilizam esse espaço virtual.

Enquanto a maioria dos portais brasileiros expõe os serviços oferecidos e as últimas notícias sobre as ações realizadas para a população (note que o foco deveria ser o funcionário), o portal português foca na função pública do servidor dentro da sociedade, como uma espécie de manual sobre o tema.

Com três cores diferentes, lembrando um semáforo, o site divide o conteúdo de acordo com a intenção do usuário: saber mais sobre iniciar, exercer ou encerrar uma carreira pública.
A simplicidade da apresentação destaca pontos essenciais. Um exemplo: a cor vermelha indica informações aos que pretendem dar início a uma carreira pública, por esse motivo, encontra-se conteúdos como “A procura de emprego público, o recrutamento e os métodos de seleção” ou “ Conhecer os benefícios sociais”.

As informações, ignoradas por muitos portais brasileiros, parecem óbvias à primeira vista, mas esclarecem assuntos fundamentais, reforçam a seriedade do trabalho no ambiente público e resgatam a auto-estima do funcionalismo.

O portal prova que não é preciso superlotar o usuário de informações para ter qualidade. Ao mesmo tempo, os interessados em notícias atualizadas sobre o tema, podem conferí-las na home da Direção Geral da Administração e do Emprego Público.

A iniciativa reitera a idéia de que a Europa tem investido em fortes conceitos para construir a base de um novo momento para o funcionalismo público, como comentado anteriormente no iGovSaber.

Geração Y

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(imagem obtida no site onboardinggeny.com)

Há cerca de dez dias, assisti, na Globonews, o programa “Entre Aspas”, comandado pela jornalista Mônica Waldvogel, que discutiu o processo, nada tranqüilo, da chegada ao mercado de trabalho da Geração Y, nome dado ao contingente de pessoas nascido do final dos anos 80 ao final dos anos 90. O programa teve a participação dos especialistas em recrutamento Luiz Carlos Cabrera, “headhunter” e professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, e Sofia Esteves, Presidente da DMRH.

O desafio central, discutido no programa, está em como conciliar a maneira de trabalhar das grandes organizações, moldada em cima de hierarquias rígidas, profusão de departamentos, restrição à criatividade, só para citar alguns dos traços que ajudaram a construir a era industrial, com os anseios de jovens que vivem em uma sociedade caótica, globalizada na qual as novas tecnologias são utilizadas de forma tão intensa e natural em seus processos de aprendizagem, relacionamento e lazer que dificultam a percepção, por parte deles, mesmo nas menores faixas de renda, que já houve mundo sem Internet.

Por conta dessas características, o local de emprego é a praça de guerra onde esses conflitos vêm a tona de forma mais marcante. Observem que o mesmo olhar angustiante que o antigo profissional averso à inovação tem ao se deparar com um microcomputador em sua measa é encontrado entre os nativos digitais ao observar carimbos e caixinhas de entrada e saída de documentos.

Esse embate não vai ser fácil e o resultado ainda é nebuloso. Um aspecto, no entanto, ficou evidente pelo relato dos especialistas. Nessa luta, as organizações vão ter que mudar mais do que os jovens ingressantes. O motivo é surpreendentemente simples. Esse novo funcionário é também o novo fornecedor, o novo consumidor (para a empresa privada) e o novo cidadão (para os governos de uma forma geral). Eles estão atacando de todos os lados.

Outra informação bastante sugestiva, mostrada no programa, diz respeito ao processo seletivo desses jovens. Já há entidades mais antenadas que utilizam a montagem de blogs e a realização de vídeos para recrutar pessoas. Esse é um bom começo. O mais difícil será incorporar essas práticas no dia a dia da organização, pois isso envolve mudança de processos, por vezes centenários.

No caso particular do governo de São Paulo, esta questão merece um exame ainda mais aprofundado, na medida em a idade média dos funcionários públicos paulistas se aproxima dos 50 anos, o que sugere uma crescente incorporação de jovens ao longo dos próximos períodos.

Como servidor público e imigrante digital preocupado com esses desafios, fiz aqui uma consolidação das principais características destes jovens, com base no que assisti no “Entre Aspas”.


Creio que caberá ao governo como um todo e às diversas unidades de recursos humanos, em particular, examinar em profundidade esse perfil e definir estratégias para que, ao chegar ao setor público, a energia e o idealismo dessa garotada sejam utilizados em toda a sua potencialidade. Problemas a serem enfrentados não faltarão.

Quem quiser assistir a íntegra deste programa, clique aqui.

E, terminando, para os que quiserem saber um pouco mais sobre os aspectos culturais que marcam as diferentes gerações, recomendo, aos que ainda não o fizeram, a leitura, aqui mesmo no iGovBrasil, da matéria postada pelo Álvaro, Vídeo República e Vídeo Monarquia. Do mesmo Álvaro, já agora no iGovSaber, vale a pena conferir, também, a postagem sobre nativos digitais.


Uma das grandes vantagens das redes sociais é, sem dúvida, o partilhar de informações. Sementes para o conhecimento. Por vezes, as idéias unidas, misturadas e praticadas em conjunto constroem o que chamamos de inovação. Um novo bem, para ser novamente partilhado.
A proposta portuguesa comunidades@ina, muito se assemelha a esse ciclo. A iniciativa do Instituto Nacional de Administração, une em um portal os meios para que profissionais da administração pública lusitana e interessados da área, troquem informações e experiências a fim de sanar questões rotineiras do trabalho.
Nos Estados Unidos, também temos referência de um projeto como esse – é o GovLoop, rede que reúne funcionários do governo, especialistas e cidadãos para discutirem o uso da ferramenta Web 2.o dentro da sociedade.
Em São Paulo, a rede que discute o tema é a NósGov, restrita apenas aos funcionários do Governo do Estado de São Paulo. Outra iniciativa paulista, dirigida à gestão de municípios é a Rede CIM, que vem realizando um prodigioso trabalho em comunidade de assuntos governamentais.
Faço parte dessas redes e por elas tenho recebido intensa colaboração, mas volto a Europa que desenvolveu uma apresentação inspiradora sobre a importância das redes sociais. Nela, é possível notar o sentido social da internet, em um momento onde as redes virtuais passam a ir além de um ponto de encontro entre amigos.
O projeto da ESN - European Social Network também visa a participação dos cidadãos na construção de melhorias feitas a partir da Web. O curioso desse caso é unir diferentes países, línguas e culturas com um único objetivo em comum.
De acordo com FastTrackGov, responsável pela pesquisa sobre o uso de mídias sociais em administração pública no Estados Unidos, três em cada cinco dos Governos Municipais os EUA fazem uso desse recurso como forma de comunicação com os cidadãos e empresários. A opção mais utilizada é o Facebook, seguido do Twitter.
Dos entrevistados, 47% acreditam que a comunidade aderiu ao meio de comunicação governamental. O número deixa claro que as ações virtuais foram bem recebidas pela população e que o caminho tomado, tem bons motivos para ser bem sucedido em diferentes países.

Conhecimento e Esperança

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Os Estados Unidos deram, na última semana, um passo decisivo para apoiar a pesquisa científica de ponta, uma das mais importantes marcas da sociedade do conhecimento.

O Presidente Barack Obama, cumprindo promessa de campanha, assinou segunda-feira, dia 9 de dezembro, decreto suspendendo as restrições ao uso de fundos federais em pesquisas com células-tronco embrionárias, que tinham sido interpostas na administração George W. Bush.

A ação do presidente Barack Obama movimentará a curto prazo uma verba de aproximadamente US$ 21 milhões, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Saúde americano.

A esperança que move cientistas do mundo todo é que a aceleração nas pesquisas com
células-tronco embrionárias irá permitir um combate mais efetivo à diversas doenças que hoje não contam com tratamento adequado, tais como diabetes, mal de Parkinson e diversas outras doenças degenerativas.

O Brasil conta, desde 2005, com uma legislação que regulamenta a realização de pesquisas com o uso de células tronco embrionárias, denominada Lei de Biossegurança, aprovada por 96% dos senadores e 85% dos deputados federais, e logo sancionada pelo Presidente Lula.

Essa regulamentação, no entanto, foi parar no STF devido à ação do então subprocurador geral da República, Cláudio Fonteles, que a considerava a medida inconstitucional.

Em maio de 2008, o Supremo, em decisão apertada, seis votos a cinco, finalmente aprovou a Lei de Biossegurança.

Essa legislação tem permitido a proliferação de ações inovadoras em praticamente todas as áreas médicas levando um novo alento à milhões de doentes até então desesperançados.

Veja nos sites
Célula-Tronco Esperança e Folha Online Especial, alguns exemplos do trabalho de alguns heróis anônimos que, movidos por um espírito público comovente, lutam pela construção de um Brasil moderno, superando, com seu conhecimento e abnegação, não somente a falta de recursos, como, e principalmente, mentalidades atrasadas e os entraves burocráticos que tentam, sem descanso, enterrar o novo.
Foi lançado no mês passado o projeto Anjos da Rede. A partir dele, crimes que violam os direitos humanos (pornografia infantil, crimes de ódio e genocídio) na internet, já podem ser denunciados através do site da Polícia Federal.
A boa notícia é fruto da parceria entre a própria Polícia Federal, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) e a Ong SaferNet. Esta última, anteriormente citada aqui , tem um portfólio de atuação impecável voltado à proteção do internauta.
A Ong surgiu em 2005, com o princípio de combater a pornografia infantil na internet brasileira e, posteriormente, passou a abranger outras áreas em defesa dos direitos humanos.
Ao visitar o site é possível notar que a Organização não apenas pretende melhorar o espaço virtual brasileiro, mas também, utilizar de seu próprio espaço para transmitir seriedade e transparência; deixando disponível aos internautas seus projetos, dados institucionais, dados de pesquisas e até mesmo o que motivou cada parceria consolidada.
Dentre essas parcerias, podemos encontrar nomes de peso como o Google, MySpace e Petrobrás.
Os crimes cibernéticos estão sendo tratados com a mesma importância que crimes que ocorrem fora da rede. Mas o combate a crimes "offline" também sofreu alterações em sua denúncia - a Polícia Federal pede para que utilize o serviço Disque 100, procure a delegacia mais próxima ou, ainda, envie um e-mail para: denuncia.ddh@dpf.gov.br
Certamente, um bom avanço para comemorarmos.