A Freira Webmaster e o Papa no YouTube

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Judith Zoebelein, é uma freira da Ordem das Irmãs Franciscanas da Eucaristia e ocupa a função de diretora técnica do Departamento de Internet da Santa Sé. Desde 1995, quando a irmã Judith coordenou a criação do site do Vaticano, tem sido a principal inovadora na tecnologia católica e uma referência por sua visão bastante peculiar da rede, dizendo que "é o melhor caminho para atingir milhões de pessoas e conectá-las com o Divino". 

Com uma equipe de 17 pessoas em seu departamento, a irmã Judith, que é usuária de Mac e Linux, lançou na última sexta-feira o Canal Vaticano no YouTube, concentrando e ampliando parte das transmissões realizadas pela Rádio Vaticana e pelo Centro Televisivo Vaticano. Em última análise, é mais um líder de governo a aderir ao YouTube, como fizeram Gordon Brown, Barack Obama, a Rainha Elizabeth e outros tantos reportados aqui. Detalhe: o canal Vaticano também permite comentários sobre os vídeos.

Abaixo você pode assistir a entrevista que a irmã concedeu ao jornalista Robert Scoble, publicada no PodTech.





Dia de Mudança

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Nesta terça-feira assume Barack Obama em cerimônia que deverá ser o evento de maior audiência a ser transmitido pela internet. O site do Presidential Inauguration Committee está cuidando de tudo, desde mensagens via SMS orientando o cidadão quanto a transportes, clima e hospedagens, como cadastro de voluntários que possam auxiliar na organização, até canais específicos no Twitter, no Flickr e, lógico, no YouTube.


barack obama poster change. many Barack Obama postersComo nosso compromisso em acompanhar o Presidente 2.0 vem desde as prévias, passando pelas eleições e pela transição, vamos seguir a posse e estar atentos à gestão, para a qual não faltam problemas e desafios.

Não falo da crise econômica, ou da no Oriente Médio, mas especificamente em como a gestão Obama irá enfrentar na Casa Branca os obstáculos à modernidade, construídos por burocratas e tecnocratas, que impedem, por exemplo, que os sites oficiais tenham conexão com YouTube, ou com comunidades do tipo Facebook, Flickr e outros sites comerciais. Quem já acessou o site White House ou o FirstGov, percebe essa ausência de interação tanto com o governo quanto com os serviços públicos.

Como Obama mudará isso ?

Após as eleições, a campanha de Obama contabilizou números inacreditáveis com o uso da internet: um mailing de 13 milhões de emails, mais de um milhão de celulares cadastrados, cerca de 3,8 milhões de associados à sua página no Facebook, além é claro dos 500 milhões de dólares em doações online, em números recentemente atualizados pelo comitê.

As mesmas ferramentas que fizeram o sucesso da campanha são aquelas esperadas na gestão, no mínimo algo que se assemelhe. A Casa Branca não está preparada para isso, ninguém acessa blogs, nem YouTube, nem Orkut ou qualquer ferramenta social se estiver na rede .gov... aqui também é assim e é por isso que vamos aprender algo, creio.

Alguns casos a caneta do presidente resolve, outros exigirão mudanças legais e autorização do Congresso, mas a todos se impõe a vontade política, que o emblemático compromisso de mudança representa. É preciso que todos percebam que essas ferramentas significam muito mais que modernidade, constituem o instrumento da mudança.
Seria bom se existisse um switch off, uma atualização de versão, um reboot capaz de mudar o funcionamento de toda a gestão pelo update democrático. Mas gestão é feita de pessoas e a real mudança começa com elas e por elas.

Para assistir a posse, amanhã a partir das 9h clique aqui . Tecnologicamente, a equipe que coordena o evento definiu que a ferramenta de vídeo seja a Silverlight, da Microsoft, concorrente do Flash.  Será transmitido pela MSNBC e também pelo Joost. Ou ainda, pela janela aqui embaixo.


Um verdadeiro e constante desafio à inovação, tanto em governo quanto nas empresas, está em implantar e gerir um CRM - Citizen (quando governo) ou Customer (quando empresa) Relationship Management. A Gestão de Relacionamento com o Cidadão ou com o Consumidor, é uma daquelas idéias geniais, cuja aplicabilidade e solução parece-nos inequívoca e que, entretanto, não se consegue atingir, mesmo com toda a tecnologia a nosso favor, com analistas de informática e representantes do setor nos indicando a facilidade de implantarmos um sistema desses. 

Acontece também com outras soluções gerenciais paralelas ou correlatas, como o cartão do cidadão, o agendamento eletrônico de consultas médicas, os sistemas de avaliação de desempenho, planos de carreira e tantos outros que já assistimos, e por vezes participamos, que chegam sempre a resultados bastante aquém do desejado.

Quanto ao CRM, estou acompanhando mais uma tentativa na área pública, desta vez em Cascais, explêndida vila à beira-mar na região de Lisboa, cujo projeto CRM, iniciado em dezembro de 2007, está em fase final, após o investimento de 200 mil euros e pretende concluir neste semestre, com a integração dos serviços ao balcão único na Loja do Munícipe (espécie de Poupatempo, só que municipal).

Note que Portugal já tem as Lojas do Cidadão como o principal órgão de atendimento presencial em terras lusitanas, porém em nível nacional; agora percebe-se uma tendência dos governos municipais ou distritais, a criarem lojas sob sua competência e gestão, aproximando-se mais dos cidadãos na prestação dos serviços. Outra iniciativa portuguesa em central de atendimento municipal está em Portel, no Alentejo, que inaugurou no último dia 2 sua primeira Loja do Munícipe.

Por aqui, ainda me pauto no exemplo da perfumada cidade de Lençóis Paulista, que conheci há uns três meses e que praticamente resume com sucesso alguns itens deste post: a prefeitura de lá implantou um sistema de governança municipal, envolvendo cartão do cidadão, CRM, agendamento de consultas, georeferenciamento e outros integráveis, com gestão operacional de uma central de atendimento municipal. O mais perto de um modelo que conheci até agora.

E para quem quer conhecer mais um pouco sobre CRM para cidadão e soluções anti-burocráticas, recomendo a leitura do livro One Size Fits Few: Using Customer Insight to Transform Government, para download gratuito. 


No Reino Unido, o Department for Innovation, Universities and Skills tem atuado nos três principais segmentos de inovação: científico (envolvendo universidades e centros de pesquisas), empresarial e serviços públicos. Neste último, foco deste blog, o departamento britânico deixa transparente que sua abordagem em inovação envolve desde ações estratégicas - como a formulação de políticas de inovação, considerada "vital para aumentar a nossa competitividade, melhorar a nossa economia e a nossa qualidade de vida" - até ações operacionais, como a criação de dashboards para o NetVibes.

Esses dashboards, em linhas gerais, foram a solução britânica para a criação de pequenas salas de situação virtuais, orientando que as instituições públicas tenham sempre uma página síntese sobre seus interesses, com notícias atualizadas automaticamente e em tempo real. Muito simples e muito eficaz, veja aqui o documento que orienta o uso.

O DIUS também desenvolveu de forma colaborativa e participativa o Innovation Nation: Interactive, um documento feito a inúmeras mãos, abordando os diversos aspectos da inovação e que agora é publicado, servindo de guia a qualquer governo que pretenda inovar. Destaco o capítulo Innovation in Public Services, que contém nove princípios e vários comentários para a inovação em serviços públicos.

Como é de se esperar, o DIUS também tem um canal no YouTube e de lá retirei o vídeo abaixo, sobre serviços públicos eletrônicos.




Informação Nunca é Demais

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Nos anos 80, tive a oportunidade de coordenar, na Emplasa, o projeto que criou o Sistema 139 de Atendimento Telefônico à População. O serviço, de caráter gratuito, objetivava fornecer ao interessado informações sobre a possibilidade ou não de implantação de empreendimentos em área de proteção aos mananciais, na Região Metropolitana de São Paulo. Nos casos de conformidade com a legislação, o sistema detalhava os procedimentos necessários e acompanhava todo o trâmite, até a liberação do projeto.

As informações eram passadas aos interessados por três atendentes, apoiados em um inédito (para a época) sistema informatizado. A infra-estrutura tecnológica foi concebida por Cláudio Costa e Silva, um apaixonado por computação que conseguiu o milagre de viabilizar todo o sistema usando apenas microcomputadores e terminais. O servidor era um poderoso PC Intel 8088, dotado de uma não menos extraordinária memória RAM de 256 Kbytes e um HD externo (o popular winchester) com monstruosos 20 MBytes (sim, eu disse megabytes). O Cláudio conseguiu ainda a proeza de transformar o DOS (Disk Operating System) em sistema multiusuário, comandando os três terminais usados pelos atendentes. Para humilhar, o Cláudio, um mês antes do projeto começar a operar, me disse que estavam sobrando 2 Mbytes de área em disco. Sugeriu-me criar mais um banco de dados.

A partir da oferta do Cláudio, resolvi criar um banco de dados com informações estatísticas bem básicas (população por bairro, número de escolas, etc.) e com dicas sobre serviços à população (localização de postos de saúde, prazos para matrículas e assim ia).

Para nossa surpresa, tão logo o sistema começou a funcionar, este banquinho, de última hora, passou a ser o mais requisitado. A partir das demandas da população fomos ajustando a base de dados de modo a responder, de modo satisfatório, a grande maiorias das perguntas.

Mas, perguntará o leitor, por que esta hora da saudade? Eu explico.

Ontem eu estava consultando o site do IDEA - Improvement and Development Agency for Local Government, órgão do governo britânico, que falava do sucesso de um serviço telefônico, disponível em Chicago, o disque 311, que guardadas as proporções e a diferença de tempo, me fez lembrar do 139, descontinuado alguns anos depois por restrições orçamentárias.

Vejamos algumas características do 311.

O sistema só atende chamadas para assuntos sem caráter de emergência, uma vez que estas devem ser canalizados para o 911.

Metade das questões abrangem situações do tipo, quando ocorrerá a proxima reunião comunitária sobre segurança em meu bairro, é verdade que a rua “tal” estará fechada para carros no próximo domingo para que ciclistas possam usá-la.

Os outros 50% dos atendimentos referem-se a informações sobre semáforo quebrado, atos de vandalismo, etc. São mais de 500 tipos de solicitações que são rigorosamente monitoradas pela equipe do 311.

As cifras sobre o número de consultas ao 311 me impressionaram. Em 2007 foram mais de 4,4 milhões de ligações.

A pequena experiência pessoal com o 139, e essa mega-operação em Chicago, reforçaram minha percepção sobre três questões.

1. A população muitas vezes deseja ser informada sobre coisas tão prosaicas que nenhum órgão se dá conta de centralizá-las, estruturá-las, acompanhá-las, montando um banco de dados efetivamente inteligente.

2. A necessidade de integração entre órgãos governamentais. A população não domina organogramas mas quer respostas rápidas. Cabe aos governos buscar uma maneira moderna de fornecê-las. E este é um dos grandes desafios do gestor público de hoje.

3. Informação nunca é demais.

Brevemente, voltarei a falar sobre este caso para tratar do assunto sob a ótica da “qualidade da mão-de-obra”.

Por ora, feliz 2009 a todos.